Adriana Abreu Dias - a mulher com deficiência que trouxe fatos preocupantes sobre nosso país



No dia 3 de agosto de 2018 ocorreu em Brasília a primeira audiência pública para discutir a ADPF 442, que trata da descriminalização do aborto no Brasil. 

Um dos discursos mais impactantes foi da Antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, ela é uma mulher com deficiência e foi representar o instituto Baresi.

Já no início ela agradece o convite e ainda faz um pedido aos demais "por favor, nunca falem por nós, nem sobre nós, sem a nossa presença".

Foram 19 minutos de fala e durante este tempo ela fez um belo discurso onde trouxo muitas informações preocupantes sobre meninas e mulheres com deficiência nos dias atuais. São fatos pouco falados, por isso hoje dedicamos esta postagem para destacar alguns trechos retirados da fala da Dra. Adriana.

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"... A situação de maior vulnerabilidade das mulheres com deficiência no acesso a saúde sexual e reprodutivo torna ainda mais urgente a discriminação do aborto..."

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"...Somos nós historicamente, a população de mulheres esterilizadas compulsoriamente..."

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"...Barreiras atitudinais (mitos, tabus, preconceitos), arquitetônicas e comunicacionais fazem com que nós enfrentamos diversos obstáculos para acessar nossos direitos sexuais e reprodutivos..."

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"...Não há educação integral sexual nas escolas do Brasil, então imagine como é para uma mulher cega, ou surda, para encontrar acessoa a informação sobre sexualidade ou direitos sexuais e reprodutivos..."

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"...Na barreiras atitudinais podemos citar a dificuldade que temos para conversar com os médicos sobre nossa sexualidade. Para eles a nossa sexualidade ativa não é atraente, para eles nós somos estéreis, para eles sempre geraremos filhos com deficiência e não teremos condições de cuidar deles. Estes esteriótipos fazem com que se quer recebemos informações confiáveis sobre anticoncepção..."

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"...Não há, se quer, na maior parte do país,instalações e equipamentos acessíveis a mulheres com deficiência..."

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"...As meninas com deficiência são as maiores vítimas de violência sexual na casa, na escola e na rua. Porém, estas mulheres e meninas sequer conseguem informar que foram abusadas e sequer conseguem ser entendidas..."

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"...Meninas, e mulheres, com deficiênciasão as principais vítimas de abuso sexual. Mais de 70% das cegas, 60% das surdas e 90% das meninas com deficiência intelectuais. É injusto ameaçá-las de cadeia quando elas não querem seguir com a gestação..."

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"...As meninas e mulheres com deficiência acabam vivendo o capacitismo de forma solitária, porque é comum que ela seja a única da família que tem deficiência, e sua experiência única fazendo com que muitas vezes ela não encontre acolhimento nem mesmo na família..."

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"...Assim como qualquer outra pessoa, qualquer outra mulher, as mulheres com deficiência também devem ter o direito de decidir como desejam formar famílias..."

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"...A única maneira legitima de reduzir o número de abortos em casos que deficiências são detectadas, é garantir a proteção integral aos direitos das pessoas com deficiência que vivem com deficiência. Serviços, saúde e escolas com equipes treinadas para inclusão, políticas de suporte mulheres e famílias cuidadoras, maiores incentivos a inclusão no mercado de trabalho e uma arquitetura social favorável a diversidade aos corpos e vivências são alguns exemplos. Apenas assim seria possível garantir que as mulheres grávidas não tomem decisões baseadas no medo efetivo de serem abandonadas pelo Estado, pela comunidade e pela família..."

Assista e compartilha a vídeo completo da fala de Adriana:

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