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8 DE MARÇO TAMBÉM É DIA DA MULHER COM DEFICIÊNCIA

15:25:00

No dia 08 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher, um dia de comemoração acima de tudo um dia de reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. É nesse ponto que entra a questão da mulher com deficiência, que por muitas vezes, é esquecida e suas lutas por igualdade de gênero e direitos passam despercebidas.

Isso se deve a falta de diálogo entre os movimentos feministas, associações de representação da mulher e os movimentos ligados das pessoas com deficiência, dando um destaque especial, as mulheres com deficiência. Somente com a união de todos esses movimentos é que vamos avançar na conquista de direitos e da representatividade necessária.

A prova dessa lacuna está na invisibilidade da mulher com deficiência. É notória a ausência de percepção das mulheres sem deficiência com relação as suas iguais com deficiência. Uma prova são os eventos e rodas de conversa para discutir a questão da mulher, mas que não há a representação da mulher com deficiência.

Ao falar de violência contra a mulher com deficiência se abre um leque imenso de questões, por isso, a necessidade de união coletiva e consciente para que essas mulheres tentam voz ativa na sociedade. Somente assim elas poderão enfrentar as situações de opressão, riscos, maus-tratos, coerção econômica e as mais diversas formas de exploração, tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. Sem falar nas questões de preconceito decorrente da deficiência, pois nesse caso, os abusos e negação de direitos são ainda mais graves do que comparados a homens com deficiência.

Ainda existe um desencontro entre o número de mulheres com deficiência e a reflexão sobre gênero no setor. De acordo com o senso do IBGE de 2010, o número de mulheres com deficiência no Brasil é 5,3 pontos maior que o de homens, dentre o número levantado pelo IBGE 26,5% são mulheres e 21,2% são homens. Conforme o relatório da International Network of Woman with Disabilities sobre violência, mostram que o número de violência contra mulheres com deficiência é três vezes maior do que contra homens com deficiência e na questão dos abusos sexuais e físicos as mulheres sofrem duas vezes mais que os homens.
Somente discutindo a questão da mulher com a deficiência é que a inclusão de fato vai acontecer, principalmente para as mulheres com deficiência, para essa mudança realmente aconteça é preciso que ela seja feita de dentro para fora, somente assim é possível evitar reversão e retrocessos. Para que isso é necessário que as mulheres com deficiência se unam, sejam vistas, participem de eventos e busquem na sua cidade o conselho da pessoa com deficiência e contribuam nas discussões, somente assim é possível vencer e conquistar seu lugar de direito e destaque na sociedade.

Que esse 08 de março seja um dia de reflexão e luta para todas as mulheres e que juntas possam conquistar todos seus direitos.

COLUNA SEMANAL NA EDIÇÃO DIGITAL DO JORNAL INTEGRAÇÃO N° 16 TERÇA-FEIRA 06 DE MARÇO DE 2018

Novos dados dimensionam a violência sexual contra a mulher com deficiência - Pauta Feminina

15:36:00

A violência sexual contra a mulher com deficiência foi o tema da 49ª edição do projeto Pauta Feminina, realizado na quinta-feira (7). Organizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado em parceria com várias outras entidades voltadas aos direitos das mulheres, o evento teve a mediação da deputada federal Rosinha da Adefal (Avante-AL). Durante a série de debates, foram divulgados os dados mais recentes produzidos pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV).
Rosinha da Adefal apontou a falta de acessibilidade como um dos grandes problemas na denúncia de crimes contra a pessoa com deficiência, em razão de uma prestação de serviços ineficiente por parte do Estado.
— Numa delegacia que não tem um intérprete de Libras, imagine a dificuldade de comunicação para a pessoa que é surda. Isso se agrava ainda mais diante dos preconceitos existentes quanto às pessoas com deficiência intelectual, cujo depoimento é desqualificado quase de pronto — disse a deputada.

Dados da Saúde

Fátima Marinho, diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde (DANTPS) do Ministério da Saúde, exibiu dados de notificações de violências interpessoais e autoprovocadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), com foco em pessoas com deficiência, e com recorte de gênero.
De modo geral, entre 2011 e 2016, houve um aumento de 155,4% nas notificações de violências interpessoais e autoprovocadas (de 107.530 para 274.657), sendo que entre as pessoas com deficiência o aumento das notificações foi de 188,1% — de 7.553 para 21.759. As mulheres respondem por 57.367 (66,5%) das 86.265 notificações ao longo destes anos.

Estupros

As notificações de estupro em mulheres com deficiência subiram de 811 em 2011, para 1,542 em 2016. Do universo de 7.376 mulheres com deficiência, 33,4% apresentavam deficiência intelectual; 25,7%, transtorno mental; 15.8% tinham transtorno de comportamento; 6,9% delas, deficiência física; outras 4,9%, deficiência auditiva; e 3,6%, deficiência visual, entre outros (9,7%).
Para Fátima Marinho, o mais estarrecedor é o que chamou de “violência de repetição”, à vezes cometida por mais de um homem.
— Os dados mostram que 39,7% das notificações revelaram que essa violência ocorreu outras vezes na vida das mulheres, e 17,2% das notificações revelaram que houve dois ou mais autores do estupro.
A falta de recursos na saúde é também responsável pela baixa cobertura dos procedimentos realizados no socorro às mulheres com deficiência estupradas, que não alcançam nem metade dos casos na profilaxia de DST (39,6%), HIV (27,6%); coleta de sangue (45 %), coleta de sêmem (6,8%); coleta de secreção vaginal (15,5%); contracepção de emergência (26%); e aborto previsto em lei (1,5%).

Discriminação

Glaucia Cristina da Silva, delegada da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), disse que “a própria delegacia é extremamente discriminada. Chamam-na de Delecumba, de Delegay”.
Ela relatou a dificuldade que teve em promover as adaptações necessárias para a acessibilidade. Uma das quais, o piso tátil, cujo custo considera inviável. Ela sugeriu que o Poder Legislativo olhe com atenção o incentivo aos policiais que sabem Libras.
— Hoje, a gratificação é só para quem é concursado.  Os poucos  policiais que se motivam a aprender a Libras não tem um incentivo maior para isso.
Carolina Angélica Gomes, coordenadora-geral do Sistema de Informações da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos, disse que os gestores precisam investir em dados com recortes de gênero, raça e deficiências.
— Os recortes não são tratados porque tratamos o todo como um todo, sem pensar nas características do cidadão. Cada pessoa tem um conjunto de características e a deficiência pode ser uma delas. Sem recortes específicos, não teremos dados e sem dados de ‘para quem’ e ‘para quantos’ não fazemos política pública — disse.

Cultura

Para Carolina Gomes, uma grande dificuldade reside também na cultura do abuso sexual, potencializada no caso de pessoas com deficiência.
— Há relatos de que os estupradores acham que estão fazendo um ‘favor’ em dar um pouco de experiência sexual àquela pessoa. Esquecem-se que uma experiência sexual deve ser consentida, não obrigada.
Na abertura da Pauta Feminina, falou a enfermeira, ativista, cordelista e escritora Onã Silva, cognominada “poetisa do cuidar”. Natural de Posses (GO), Onã é autora de um premiado livro com episódios da história da enfermagem em cordel. Ela apresentou um cordel sobre a superação de situações de violência. "Aquela mulher sofrida/ Não deixa ser escória/ Aquela mulher corrida/ Hoje é Maria da Glória.
O projeto Pauta Feminina é realizado mensalmente desde 2013. A edição de dezembro, sobre a Violência Sexual contra as Mulheres com Deficiência, foi uma iniciativa da procuradora da Mulher do Senado Federal, Vanessa Grazziotin; da coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, Soraya Santos; da Procuradora da Mulher da Câmara dos Deputados, Gorete Pereira; do Programa Senado Inclusivo; e do Observatório da Mulher contra a Violência.

Da assesssoria de imprensa da Procuradoria da Mulher no Senado
Via: Senado

Como você enxerga a sua beleza?

17:02:00


Tudo começou quando uma moça me convidou para falar um pouco de como eu enxergo minha beleza e se em algum momento me senti insegura/insatisfeita com minha aparência... Fiquei pensando e refletindo sobre esse assunto, até que escrevi esse pequeno texto:

 Por eu ter nascido com uma deficiência chamada  AME, nunca pude caminhar e sempre andei de cadeira de rodas. Se isso é triste? Eu não acho!


Triste era eu evitar todo e qualquer espelho para não enxergar meu corpo que a sociedade considera "atrofiado".   Sim, tenho as pernas mais finas "do que o normal", tenho a postura mais tortinha "do que o normal", eu não caminho e não sou como uma "pessoa normal"... Eu não me achava "normal ' e exatamente por isso que me escondia dos outros e de mim mesma. 


Quando eu era adolescente nunca vi nenhuma mulher com deficiência na mídia, como se essas mulheres não fossem mulheres de verdade, e comecei a não me enxergar como mulher também, eu me via apenas como uma pessoa com deficiência, feia, nada atraente e que não se encaixava em nada.

Mas, isso foi me incomodando e por eu ser do tipo de pessoa que "se preciso tirar um curativo grudado na pele, eu prefiro arrancar rápido", essa mesma técnica usei para me aceitar... "Se não gosto do meu corpo, preciso encara-lo de frente" para ver o que eu não gostava e o que eu podia mudar para tentar gostar um pouco de mim. 

E assim eu fiz,  com 22 anos decidi mandar a sociedade se  F@#$& e comecei a me olhar no espelho. Aos poucos fui percebendo que eu não tinha nada pra melhorar, meu corpo nem era tão feio assim, mas a mídia sempre me fez pensar o contrário. 

Foi difícil, e ainda é. Mas já melhorei bastante e hoje me olho e vejo que mesmo tortinha tenho meu "charme", mesmo magrinha tenho uma personalidade bonita, mesmo que não caminho posso ir pra longe! Não me importo mais com o que os outros acham, se eu me sinto bem e bonita, é o que importa. 

O espelho que antes era o meu pior inimigo e que eu tinha medo de chegar perto, hoje é meu melhor amigo porque me mostra todos os dias a mulher que me tornei!

Você já se olhou no espelho hoje? Pode se surpreender com a mulher linda que você é!

Ilustração: Tyler Feder

Somos Mulheres e temos Deficiência... ACEITE!

18:01:00







Vivemos em uma cultura onde a mulher precisa ter um corpo perfeito para ser considerada bonita, vestir-se corretamente para não chamar a atenção de nenhum homem, "dar conta" do marido para ele não "procurar na rua o que falta em casa", entre outras coisas... São imposições que a sociedade estabelece às mulheres, que as deixam totalmente sem escolhas.


Além destas regras, nós mulheres com deficiência acabamos sofrendo outros tipos de opressões/discriminações e muitas não percebemos.

-A todo momento somos pressionadas a sermos mães para provar a nossa fertilidade;
-Precisamos "agradecer à Deus" por termos um companheiro(a) que aceite estar em um relacionamento com uma pessoa com deficiência; 
-Precisamos conseguir limpar a casa, pois é a nossa função como mulher; 
-Precisamos provar que podemos atrair alguém, e que somos iguais as mulheres sem deficiência.
-Precisamos aguentar as pessoas questionarem a nossa capacidade de conseguirmos criar, educar, cuidar e quando necessário decidir pelos nossos filhos.


Esses pensamentos acabam se tornando uma verdadeira ditadura e fazem com que muitas de nós acreditemos que são reais, que somos obrigadas a aceitar pois é "normal"! 

Mas, preciso te dizer uma coisa: ESTÁ TUDO ERRADO!

Uma leitora, a qual não iremos identificar, aceitou dar seu depoimento sobre um relacionamento que teve:

"...Sou cadeirante, vivi num relacionamento de 4 anos e ele sempre falava frases do tipo: "eu vivo em torno de ti... você nunca vai encontrar alguém que faça, o que eu faço, por você"; muitas vezes me chamava de acomodada, preguiçosa... 


Pessoas próximas, e até desconhecidos, viviam dizendo que eu deveria agradá-lo de todas as formas possíveis e que eu deveria ter muita gratidão por tudo que ele fazia pra mim...Cansei de ver ele receber "parabéns" por estar comigo, como se ele fosse um guerreiro por me aguentar.


Depois do termino, entrei para um grupo de mulheres com deficiência e foi lá onde descobri que muitas delas também já tinham passado por tudo isso. Foi no grupo que descobri que meu relacionamento era abusivo e que a culpa não era minha...

O pior de tudo é saber que todos me acham uma ingrata por não ter valorizado o belo homem que estava ao meu lado..." 

Fernanda Harter (futura Assistente Social), é feminista e afirma que é de grande importância que as mulheres com deficiência se unam para juntas apoiar uma à outra.


Fernanda Harter
"...Acredito que o feminismo, enquanto movimento que luta pela emancipação e pela garantia das mulheres de serem elas mesmas, tem muito a agregar no movimento da pessoa com deficiência, pois ajuda as mulheres com deficiência entender a sua condição de mulher, e passar pelo processo de aceitação, entender que tudo bem ela ter uma deficiência. 

Não aceitar qualquer amor, ter o direito de escolha, não viver em um relacionamento onde está infeliz só por medo de não encontrar outra pessoa. O feminismo ajuda a entender que a mulher pode ser quem e o que ela quiser..."

Outro relato que recebemos veio de outra seguidora, onde ela fala sobre uma situação que muitas mulheres/mães com deficiência vivenciam. 

"... Logo que deu a luz ao meu filho, acabei ficando um pouco fraca e tive um pouco de dificuldade de amamentá -lo, porém, eu não queria deixar de tentar pois sempre soube da importância do leite materno além do vínculo que surge da mãe e bebê. Mas, infelizmente ele logo recusou o peito por meus familiares darem mamadeira sem minha permissão..."

Por sua vez, a publicitária Fatine Oliveira também vem lutando pelo feminismo das mulheres com deficiência. Veja o que ela diz sobre isso:

Fatine Oliveira
"... É muito comum pessoas com deficiência comentarem sobre a dificuldade de encontrar parceiros e a solidão que isso provoca. Para as mulheres com deficiência esse sentimento se reforça por não se encaixar ao padrão de beleza social, por isso muitas acreditam que jamais encontrarão homens capazes de amá-las ao ponto de assumirem uma relação mais duradoura, levando-as a se manter em relacionamentos abusivos por medo de ficar sozinha. Quando a deficiência é mais severa esse quadro piora. Como a vítima não tem condições de se defender é comum a prática de estupro por pessoas próximas ou familiares. 

Infelizmente pela falta de reconhecer-se mulher e compreender seus direitos e valores como tal, muitas mulheres com deficiência desconhecem seu papel no feminismo, participando pouco do movimento. Por esse motivo, quase não se vê nossas pautas serem discutidas ou cobradas em eventos sociais. É necessário uma união de esforços, bem como estudar mais sobre o tema e entender sua importância para que possamos avançar nessa luta..."

Somos Mulheres e temos Deficiência! Não somos obrigadas a nos adaptar para ser igual à ninguém. É essa sociedade (por vezes cruel) que deve nos enxergar e respeitar nossos direitos e escolhas. Devemos nos conscientizar de que isso é errado e a nossa deficiência e gênero, não são motivos para sermos obrigadas a aguentar tudo isso!

Grande parte das mulheres com deficiência sofrem discriminações físicas/psicológicas vindas de pessoas (muitas vezes próximas) que não aceitam nossas diferenças. 

Se você estiver sendo pressionada psicologicamente ou fisicamente a fazer algo que você não quer, ligue para o número 180 que você receberá apoio e orientações sobre como resolver esse problema, ou se preferir, envie-nos um e-mail e converse conosco (cantinhodoscadeirantes@hotmail.com)!

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