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Nascer com ou adquirir uma deficiência não exclui a sexualidade de ninguém

14:18:00

Por Leandra Migotto Certeza

Eu sempre fui vaidosa mesmo em meio a gessos, dores, formas contorcidas, e falta de pernas. Sempre gostei muito de sorrir. Sempre senti vontade de me mostrar. De me exibir. De me amar. De me querer. Quando tinha cinco para seis anos fiz meu primeiro ‘ensaio’ fotográfico. Posei para minha tia. Fantasias mil… Vestiram-me de coelhinha (não a da Playboy rsrsrs), palhacinha, indiazinha… Fiz ‘caras e bocas’. Sorri. Fui feliz. Muito feliz. 


Depois vieram os carnavais. Desfilei de melindrosa, fadinha… Dancei no colo, tomando emprestadas as pernas do meu pai e dos meus tios amados. Gostava de me exibir! Contaram-me que antes desses tempos eu já gostava de posar para fotos. Que sempre gostei de me mostrar. Por que será? Ainda bem. Só depois que descobri o quanto isso foi bom para minha vida. Muito mais do que auto-estima e tralalás – como dizem os especialistas – eu simplesmente me AMAVA. Em meio a uma sociedade cheia e impregnada de supostos ‘valores morais’, infestada de pré-conceitos sobre o que é certo e o que é errado, apenas fui eu mesma, sem medo de ser FELIZ (como sabiamente disse o querido compositor brasileiro, Gonzaguinha).

Porém, quando a adolescência chegou tive vergonha de assumir que me gostava. Pensava: o que as pessoas vão dizer? Sei que não sou mais criança (há muito tempo toquei meu corpo e senti vida pulsando!), mas ainda tenho tamanho de uma. E me tratam como se fosse… Sexo? Eu? Como? Não posso, mas quero. Quero tanto! Minha ‘mãe’ interior dizia que eu ficava feia de saia. Meu ‘pai’ interior não queria que eu usasse batom.

Na época as meninas falavam de vestidos, saias, saltos altos, valsas, cabelos longos, maquiagens… Eu ia me formar na antiga oitava série, e tinha vergonha de me mostrar como era: uma menina que estava desabrochando. Pelos seios que cresciam em meu pequeno corpo, quadris que se alargavam junto as minhas curtas pernas, pêlos que apareciam em lugares ‘proibidos’, e principalmente pela grande vontade de beijar na boca!

Depois vieram as baladas, as festas, as noitadas… E eu nunca freei meus desejos. Dancei até cair nas pistas. Vesti mini-saias. Caprichei nos decotes grandes. Abusei dos brilhos. Soltei os cabelos. Usei salto alto (na medida do possível). Vesti meias arrastão. Fiz cara e bocas. Seduzi a vida! O encontro com o sexo, veio muito tempo depois. Infelizmente, como grande parte das pessoas com deficiência, fui sempre taxada como assexuada. Dei meu primeiro beijo na boca só aos 21 anos.

Antes os meninos riam de mim. Não se aproximavam. Deviam me achar mesmo uma ‘aberração da natureza’ por sempre se afastar das minhas investidas. Sempre fui olhada, observada, esquartejada, detalhada… Sempre fui comentada, cochichada, fofocada, julgada… Poucos se aproximavam para me conhecer. Ainda não os compreendo, mas não os culpo muito (só um pouco). Mas naquela época foi MUITO duro viver. Era muito duro entender que comigo tudo parecia ‘meio diferente’. Roupas tinham que ser feitas ‘na medida’. Afinal, nasci em uma sociedade que valoriza o equilíbrio, a beleza perfeita, o linear, a sincronia, a coerência, a igualdade das formas… Resumindo: o ideal da perfeição que não existe nesse Planeta.

Hoje eu brado em todos os cantos do mundo que todos os seres humanos são DIFERENTES. Todos sem exceção. Para mim a beleza é a forma CALEIDOSCÓPICA que TODAS as pessoas têm. Beleza, sedução, sensualidade, sexualidade, amor, paixão, sexo, tesão e desejo são energias tão sutis e tão FORTES que estão em tudo que fazemos.

Porém, lá no fundo, me questionava: porque eu ainda temia mostrar a todos que gostava de mim mesma sendo diferente delas? Não sei. Até hoje me pergunto, porque sofri tanto me preocupando com a opinião dos outros… Mas como dizem os especialistas só construirmos nossa imagem pelos olhares dos outros. Para Ana Rita de Paula, (doutora em psicologia clínica), Mina Regen e Penha Lopes, (assistentes sociais) autoras do livro: “Sexualidade e Deficiência: Rompendo o Silêncio”: “como o novo sempre nos assusta, procuramos nos vincular ao já conhecido. E, assim, buscamos refúgio nas imagens que a sociedade, geralmente, nos apresenta tanto de sexualidade (sexy é quem exibe um corpo supostamente ‘perfeito’ e simétrico, segundo os padrões de beleza e estética da mídia); quanto das pessoas com deficiência (alguém que erroneamente supomos ser imperfeito, incapaz, frágil, e que não pode fazer parte da sociedade dita ‘normal’)”.

O mais difícil para o desenvolvimento da minha sexualidade foi mostrar para minha família e amigos que eu cresci. Que não sou criança e nem assexuada!! Quando comecei a namorar o meu atual marido ouvi comentários terríveis que me rasgaram por dentro. As pessoas que eu mais amo na vida, não acreditavam que eu pudesse ser, simplesmente, FELIZ.

Hoje, eu e meu marido, somos aceitos pela maioria dos amigos e familiares, mas ainda conhecemos muitas pessoas que os pais de pessoas com deficiência não aceitam que seus filhos têm sexualidade. Por que será que é tão doloroso para eles assumirem que seus filhos podem ser felizes se realizando na cama (no sofá, no chão, na escada, no elevador, no…) com seus corpos, simplesmente, diferentes? Espero que um dia, todos aprendam que a simetria e a perfeição foram conceitos criados por eles mesmos, e, portanto, podem ser destruídos a qualquer momento!


Veja o texto completo: Inclusive

A BARBIE NÃO TRANSA, MAS EU SIM!

16:52:00
Por Luana Milan
Descrição da imagem: Na imagem temos a boneca Barbie deitada com os braços para cima usando lingerie, ela está sob uma luz rosada. Na parte superior, com letras brancas está escrito "A Barbie não transa, mas eu sim" 
A famosa boneca da Mattel, muitas vezes usada para representar nosso ideal de corpos reais, falha em não possuir a principal característica de toda mulher: sua xoxota. O padrão mais desejado de face e corpo ainda hesita em divulgar o que todas temos em comum. O medo de sexualizar a maior ferramenta de formação de princesas do planeta, só reafirma o fato de vivermos em uma sociedade misógina. Mas será que a Barbie não sente tesão?

Não posso falar por ela, mas inúmeras experiências me levaram a crer que muitos me vêem como a Barbie: linda e sem xoxota. Eu tenho algo absurdamente surpreendente para lhes contar: eu tenho uma xoxota. E esse estereótipo não se aplica apenas a mim, mas a maioria das mulheres com deficiência.

Assexuadas ou Invisibilizadas?

Desde o primórdio somos invisibilizadas quando o assunto é sexo. Não vou entrar em todo o contexto histórico acerca da pessoa com deficiência, mas quero frisar que nossos corpos sempre foram escondidos, assim como nossa voz e vontade. Por todo a áurea de exemplo de superação e blá blá blá capacitista, fomos colocadas em uma condição, que muitas vezes não representa nossa realidade.

[Descrição: imagem de uma boneca Barbie nua, sem cabeça e deitada em um fundo branco.
Com isso, transformaram nosso corpo em um lugar secreto e para você acessá-lo precisará unir as 4 esferas do dragão, porque só o mais bravo dos heróis, aquele cuja pretensão seja nos salvar e viver para sempre ao nosso lado terá direito de tocá-lo. Precisa jurar amar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Mas será que queremos mesmo toda essa burocracia?

Óbvio que devemos ser tocadas com respeito, assim como qualquer pessoa, mas às vezes, a gente só quer sexo, sabia? Sem o compromisso de estreitar laços afetivos, sem a promessa de relacionamento. E ainda mais, sem o cuidado de estarem lidando com uma boneca. Porque, acreditem, a frase que eu mais ouvi até hoje na hora H foi “eu tenho medo de te machucar, você parece uma bonequinha”. Ok, eu posso parecer uma boneca, mas eu adoraria que fosse uma inflável, pelo menos. Porque as de porcelana pegam pó e a Barbie nem xoxota tem.

Estamos nos aplicativos de relacionamento, nas baladas e barzinhos também esperando uma oportunidade de termos um orgasmo. Buscamos por prazer, sexo sem compromisso, trocamos nudes, assistimos pornô e até nos masturbamos. Isso significa autoconhecimento e liberdade. Assumir que sentimos tesão e que, mesmo tendo alguma deficiência, somos sexualmente ativas, descaracteriza qualquer imagem puritana depositada em nós. E é exatamente o que eu adoraria que acontecesse.

Sim, temos tesão!

Então entenda, eu tenho xoxota e eu faço sexo. Não se preocupe se só quiser transar comigo, provavelmente eu também só queira isto. Sem casamento, filhos, um cachorro em uma casinha com cerca branca. Tudo bem quem não se sente confortável com isso também, é um direito, é uma escolha. No entanto, a única pessoa que pode falar sobre minhas escolhas, sou euzinha.

Então vamos nos poupar dos discursos próximos ao que um garoto já ouviu por manifestar que só queria transar comigo: “Você é um escroto por querer isso com ela. Vai comer a guria e abandonar ela.”. Que horror, mas quem me dera, né, gente!

A minha condição física não faz de mim uma Barbie sem xoxota. Portanto, não se sintam acuados quando este for o assunto, só procurem saber quais são nossas escolhas. De resto, um copo de água e um orgasmo não se nega a ninguém. 

Luana Milan Teles tem 25 primaveras de idade é formada em Design Visual e pós-graduada em Marketing Digital. Tem Charcot-marie-tooth tipo 2. Mãe de três felinos, feminista e adepta ao amor livre. Acredita que os bons são maioria. Seu instagram pode ser acessado aqui e o facebook aqui.

A imagem em destaque faz parte do projeto Naked Dolls de Catarina Paulino, mineira de Belo Horizonte fez um tumblr para divulgar este trabalho. Se tiver interesse em conhecer mais, confira uma matéria realizada para o site “Resumo Fotográfico” aqui onde ela expõe os objetivos do projeto, e seu porfolio aqui.

Via:Disbuga

Sexóloga "abre o jogo" e responde perguntas dos cadeirantes!

16:07:00

Muitos falam sobre sexualidade mas poucos têm coragem de assumir que é um assunto complexo sim, ainda mais quando falamos das pessoas com deficiência onde alguns tem sensibilidade, outros não, além de outros detalhes. 

Precisamos estar cientes de que quanto antes assumirmos nossas dificuldades e procuramos esclarecimentos, mais rápido podemos dar um jeito nelas. 

Mas, é claro, não são apenas os cadeirantes que têm suas especificidades, quase todo mundo tem alguma questão que impede que a relação sexual seja totalmente prazerosa. Por isso queremos mostrar que muitas delas podem ser resolvidas com o auxílio de um profissional sexólogo.

Entenda como é o trabalho de um sexólogo, através do que a sexóloga Cláudia Renzi diz: 
"Se tivesse um resumo do que é meu trabalho como sexóloga eu diria uma viagem para dentro de si. Pois meu trabalho permeia toda sexualidade humana. Abrange não apenas o ato sexual em si, mas toda sexualidade dentre os padrões de comportamentos em uma sociedade, religião ou grupo e as influências sobre o sujeito..."

Na semana passada reunimos 8 perguntas de nossos seguidores para serem respondidas por Cláudia, Veja a seguir:



-Minha deficiência não tirou a sensibilidade, porém, nunca consegui ter um orgasmo com o parceiro, apenas comigo mesma através da masturbação. Isso é normal?
    Sim muito normal, a maioria das mulheres não tem orgasmo com os parceiros (sim, elas mentem).
    Na masturbação você usa os dedos? são toques no clítoris? se for , leve a prática para a relação a dois, o importante é começar a se sentir confortável se estimulando junto com seu parceiro.

-Não tenho sensibilidade no meu corpo, tenho como sentir prazer e chegar ao orgasmo mesmo assim?
    A palavra orgasmo está vinculada ao ápice do prazer dentro de uma relação sexual, mas é possível termos sensações de prazer elevadas de outras maneiras. Isso vale tanto para homens ou mulheres, o prazer está vinculado ao cérebro, existem pessoas que sem lesões, com todo o corpo em  funcionamento não reconhecem a sensação orgástica, muito maluco não é?
    Aprendemos a sentir prazer ou é inato? sabe quando você nunca comeu uma comida e a primeira vez o gosto parece estranho, tipo açaí…. a primeira vez que comi açaí parecia terra, na segunda vez já não parecia e na terceira amei…. eu aprendi a gostar de açaí? meu paladar acostumou? como agora é prazeroso comer açaí? 
    Sentir prazer e ter um orgasmo me lembra um pouco reconhecer novas sensações, talvez esse seja seu caminho, no corpo você não tem sensibilidade, mas e na sua mente? o que te traz prazer?

- Já tenho 9 anos de lesão parcial, não tenho muita sensibilidade e por isso eu tenho ereção mas dura apenas alguns segundos... Tem alguma dica de como conseguir ficar mais tempo com ereção e conseguir aproveitar mais o momento?
   Para segurar um pouco mais a ereção pode usar um anel peniano, tem modelos nos sex shops. O anel é como um torniquete colocado na base do pênis assim que chega a ereção,  fazendo com que o sangue permaneça por mais tempo aumentando o tempo e duração da ereção.

-Tenho agorafobia e tomo remédios que me causam problemas de retardo da ejaculação. Existe algo que possa fazer para melhorar isso?
    Se puder ter acompanhamento com algum tipo de profissional que utilize técnicas como respiração e meditação seria interessante para seu caso, procure na sua cidade a técnica de Renascimento.
    E o ideal também seria você ter um acompanhamento psicoterápico.

-Eu sinto muita dor em relações sexuais, minha ginecologista me diagnosticou com vaginismo mas não me deu nenhuma dica de como lidar com isso. O que deve fazer para não sentir tanto desconforto?
    O vaginismo é a contração involuntária  impossibilitando a entrada do pênis ou até mesmo da realização de exames  no caso dos ginecologistas. Provavelmente além de vaginismo você tem também dispareunia (dor) nas relações.
    Tem como resolver isso sim, é um treino, existem fisioterapeutas pélvicas que tratam dessa questão e dependendo pode ser algo psíquico, teria que fazer uma entrevista/ sessão  para entender o funcionamento do seu corpo.

-Antes da lesão quando ejaculava a sensibilidade ficava muito grande que eu tinha que esperar tipo 1, 2 minutos para poder fazer novos estímulos. Mas hoje eu não sei, ainda não ejaculei depois da lesão, mas acho que deve ir para a bexiga, sendo assim como é que eu fico sabendo se eu ejaculei? Eu consigo sentir prazer na hora?
    Normalmente a maioria dos homens tem a glande hipersensível após a ejaculação, seu caso não é isolado.    Acredito ser um momento de muita ansiedade para você voltar a sentir prazer e como será este prazer, o corpo irá responder de uma maneira diferente da que conhecia com certeza, mas só testando e treinando para poder lhe orientar melhor.

-Se uma pessoa me perguntar se eu sinto prazer, como explicar que sim? Sendo que é uma vontade diferente, a falta de sensibilidade faz ser diferente.
     As pessoas se limitam em alguns pontos do corpo, o principal são os genitais, sendo que a pele é o maior órgão do corpo humano e quase ninguém lembra disso, existem infinitas possibilidades de acessar o prazer, seja com um toque no rosto, um olhar, uma palavra, um gesto.
     O  prazer não é  vinculado a penetração apenas, a sexualidade abrange nossa vida de forma geral, tanto que em espanhol se diz gozar a vida! aproveitar, usufruir ao máximo.

-Eu gostaria de saber da sua opinião sobre a busca do prazer por masturbação, você incentiva?
     A masturbação é autoconhecimento, se você não sabe como funciona seu prazer como vai dizer ao outro o que gosta o que não gosta, onde sente mais, onde sente menos? por isso sim incentivo quando não vinculada a padrões compulsivos, aí vira caso para tratamento.

Para trabalhar esses tipos de questões, traumas, dificuldades, a sexóloga faz todo o tratamento é acompanhamento de acordo com cada pessoa.

"Como toda terapia, não existe um prazo fechado de sessões. O tratamento segue de acordo com o desenvolvimento das expectativas e dos objetivos. Mas a cada sessão é pontuado as modificações e a evolução. Assim, o paciente tem visão do caminhar do processo sendo uma figura ativa juntamente com o terapeuta.

No primeiro contato é realizada uma entrevista onde o terapeuta e cliente alinham o foco para o trabalho, nas outras sessões é possível a utilização de algumas técnicas como (renascimento/respiração, meditação, exercícios de bioenergética, massagens e treinos comportamentais)."

Para você ser atendido (a) por Cláudia, não precisa nem sair de casa pois ela oferece atendimento via Skype ou se preferir, pessoalmente no seu consultório.

Agende já sua hora pelo e-mail claudiarenzipsi@gmail.com 


SEXUALIDADE - Pergunta que a gente responde!

04:04:00


Para que a sexualidade das pessoas com deficiência deixe de ser alvo de tanto preconceito, é necessário falar sobre o assunto e é exatamente isso que vamos fazer!

Ainda escutamos muita gente dizendo que "as pessoas com deficiência não têm relações sexuais", que não sentem prazer, que não são capaz de satisfazer o parceiro(a)"... são pensamentos tão preconceituosos que até as próprias pessoas com deficiência acabam acreditando nisso e deixam de se aventurar e se permitir em descobrir como funciona a sua sexualidade.

É claro que a "sexualidade da pessoa com deficiência" não é tão diferente assim, mas sempre temos alguma dúvida quando falamos sobre o assunto. Por isso decidimos tentar esclarecer todas estas questões com a ajuda da sexóloga Cláudia Renzi que irá dar dicas de como descobrir  diferentes maneiras de você sentir muito prazer! 

Mas para isso, precisamos que você nos envie sua dúvida pela nossa página no Facebook, ou pelo e-mail cantinhodoscadeirantes@hotmail.com 


Envie sua pergunta hoje mesmo, e fique tranquilo(a) pois iremos manter o sigílio absoluto!

Ter assistente sexual serviu para me reconciliar com meu corpo

15:04:00

Jamais caminhei com minhas pernas e por isso me locomovo em uma cadeira de rodas. Também não posso levar uma colher à boca nem levantar um copo d’água. Por isso conto com a ajuda de uma pessoa − meu assistente pessoal − que me permite chegar aonde não alcanço.
Muitos veem minha situação como algo lastimável e, consequentemente, as pessoas como eu são condenadas a uma existência de serviços mínimos: ser alimentadas, ser entretidas e ser deitadas na cama. Mas também tenho desejo sexual, e as cadeiras de rodas não são necessariamente um obstáculo: também podem se transformar em um divertido brinquedo erótico.
Antes, quando pensava no sexo, fazia isso de uma perspectiva negativa: o fato de que, por exemplo, o risco de que as pessoas na minha situação sofram violência sexual seja quatro vezes maior, para não falar de sermos submetidas a esterilizações forçadas e a abortos coercitivos.
É verdade que eu já tinha tido relações sexuais com parceiros que não eram diversos − preferimos esse termo a “incapacitados” ou “deficientes". No entanto, o que acontece se quero ter relações com outra pessoa diversa? E se quero ter cibersexo? E se quero usar brinquedos eróticos? E se simplesmente quero explorar meu corpo?
Todas as respostas a essas perguntas passam pela figura do assistente sexual.Eu me vali de um e minha experiência não poderia ter sido mais favorável. Principalmente se levarmos em conta que os horizontes para uma pessoa diversa são particularmente estreitos.

A vida dos ‘diversos’

A subestimação constante que sofremos nos leva a interiorizar um itinerário de vida muito limitado. Você aprende isso quando tem acesso à escola pela porta traseira, quando te levam a um centro educativo especial porque o sistema comum não sabe o que fazer com você, quando tem se segurar a vontade de urinar porque não há banheiros acessíveis, quando fica em casa em vez de ir a uma festa de aniversário porque nesse dia seus familiares não podem levar você, quando ninguém respeita sua saúde ginecológica e não encaminham você para fazer exames médicos.
Com sorte, você conseguirá ficar independente de sua família (e ela de você), mas acabará em algum dos programas sociais destinados aos grupos humanos que ficamos à margem, como os chamados “incapacitados”, “idosos”, “menores”, “mulheres maltratadas” etc. Se as pessoas “normais” não querem ser internadas em instituições, por que nós iríamos querer?
Já passei por instituições e já tive ajuda domiciliar. E a falta de liberdade que esses programas significam pode ser simbolizada com uma peça de vestir: o moletom. Por ser uma roupa cômoda, fácil de pôr e tirar, é a mais comum. O moletom em si mesmo não é nem bom nem mau, mas demonstra a existência de normas externas que restringem sua própria vontade. E o que acontece se alguma vez tenho vontade de me ver com um vestido e com os lábios pintados? Nada. Porque mais uma vez é preciso usar moletom.
Todos os programas que institucionalizam as pessoas se baseiam em uma cultura assistencialista, caritativa e de submissão. Se acreditarmos que as pessoas com diversidade funcional somos diferentes no sentido negativo, não promoveremos nossos direitos a uma cidadania plena. Um exemplo é a maldenominada “lei de dependência” (nós, ativistas do Movimento de Vida Independente, esperávamos uma “lei de independência”!), que aposta nos programas tradicionais frente à única modalidade assistencial inovadora, a assistência pessoal.

‘Vossas Excelências, como troco o absorvente?’

Em 2001, um grupo de pessoas com vontade de viver com igualdade e plena liberdade nos organizamos como uma comunidade virtual: o Foro de Vida Independente e Diversidade.
A partir desse grupo, difundimos a filosofia de vida independente, ou seja, a de que não nos conformamos com as migalhas, exigimos os mesmos direitos de qualquer um para nosso desenvolvimento pessoal, social, profissional, trabalhista, sentimental, afetivo...
O Foro significou uma revolução social e política. Pode ser que as pessoas alheias ao grupo não o conheçam, mas não exagero se disser que nossa revolução foi uma espécie de 15-M [o movimento civil que surgiu em 2011 na Espanha em busca de uma democracia mais representativa]. Pela primeira vez, as patologias em si mesmas deixaram de ser o mais relevante, e colocamos o foco nas violências que sofremos as pessoas com corporalidades, sentidos ou cognições plurais. Se o mundo da incapacidade esteve tradicionalmente fragmentado por doenças ou patologias, unimos esforços e lutas, como demonstra a criação da expressão “diversidade funcional”.
Nós gostamos que nos chamem de “diversos/as/xs” em vez de “incapacitados” ou “deficientes”. Foi isso que levei ao conhecimento dos líderes políticos espanhóis em um discurso que fiz no Congresso dos Deputados em 2005. Naquela ocasião, também lhes falei sobre a menstruação:
“Eu, como qualquer mulher, menstruo todos os meses. Para trocar o absorvente, uma coisa tão óbvia, tão simples, tão cotidiana para nós, preciso da ajuda de uma pessoa; e eu quero que essa pessoa que esteja tocando em mim nesse momento seja uma pessoa do meu gosto, uma pessoa com quem eu me sinta bem, o que não pode ser é que me imponham uma auxiliar de ajuda domiciliar, que talvez só venha uma vez ao dia para trocar o meu absorvente e volte apenas no dia seguinte, e só venha de segunda a sexta − se minha menstruação chegar no fim de semana, má sorte. Se eu estou numa instituição, os cuidadores fazem isso muitas vezes com pouco profissionalismo, essa é a verdade, e certamente com muito pouca humanidade e com muito pouco tempo, porque ali há tantas pessoas a quem cuidar que não se pode fazer muito mais”.
Alguma vez você já tinha pensado que as mulheres com diversidade funcional tivéssemos de lidar com um problema assim?
Naquela época, em 2005, nossa batalha também se concentrava, como expliquei aos deputados, em obter ajuda para que tivéssemos assistentes pessoais.

Como os assistentes pessoais mudaram minha vida

Ainda não detalhei minha experiência com a assistência sexual, mas, para entendê-la bem, primeiro tenho de contar coisas sobre a assistência pessoal.
A assistência pessoal é a ferramenta humana que, apoiada na filosofia de vida independente, permite que nós, pessoas com diversidade funcional, tenhamos apoio humano constante e possamos desenvolver uma vida ativa e com igualdade de oportunidades. Em termos práticos, os assistentes pessoais são trabalhadores da minha confiança que contrato para que me acompanhem de segunda-feira a domingo e para que atuem como um prolongamento de mim mesma. Ou seja, não só para que me levantem da cama, vistam-me e me deem banho, como também para que minha vida tenha uma utilidade e uma produtividade durante a maior parte possível do tempo. Mas, principalmente, para que minha vida seja digna no pleno sentido da palavra.
Graças a eles e a elas, por exemplo, posso me deslocar para dar palestras pela Espanha como graduada em Filosofia, presidenta do Instituto de Paz, Direitos Humanos e Vida Independente, integrante do Comitê de Ética Assistencial do Hospital Nacional de Paraplégicos em Toledo, ou especialista em feminismo, bioética, sexologia, gênero etc.. Acredito ser uma grande privilegiada por viver na Comunidade de Madri, que permite que eu me desenvolva profissional e pessoalmente. Minha assistência pessoal é financiada pela prestação econômica de assistência pessoal e pelo complemento do Programa de Apoio à Vida Independente da Comunidade de Madri/ASPAYM Madri.
Há 13 anos iniciei minha experiência com a assistência pessoal. Sou das poucas pessoas que decidem sair de uma instituição assistencial e entrar neste novo enfoque de vida independente. O processo foi bonito, mas custei a me acostumar por causa da inexistência de uma verdadeira cultura de vida independente. Havia ficado tantos anos sem satisfazer imediatamente minhas necessidades que passava algumas horas com sede antes de me lembrar de que podia pedir água a meu assistente.
Quando você vive em uma instituição, você tem de seguir normas externas. Viver de maneira independente significa estabelecer minhas próprias normas, fazer isso “de dentro”, em função de meus interesses, gostos, costumes, caprichos... Dei uma guinada existencial fascinante. Aprendi a trocar de roupa se ela ficava com alguma mancha, já podia ficar o tempo que quisesse na cama, já podia seguir o impulso transgressor de passar um dia todo de pijama... E, principalmente, como ato de rebeldia, passei uma boa temporada sem vestir outra vez um moletom.
Além das questões práticas, pude dedicar mais tempo às minhas inquietações, comecei a me desenvolver pessoalmente e a me questionar pela primeira vez sobre minha sexualidade.

A assistência sexual

Há coisas que uma pessoa tem de viver por si mesma e, no meu caso, isso só é possível com apoios humanos, autogeridos, financiados publicamente e escolhidos por mim. A assistência sexual é uma grande opção para viver dignamente, principalmente no plano do autoerotismo.
Eu gostaria de deixar bem claro de que maneira entendo o trabalho dos assistentes sexuais e sob quais condições sou usuária, porque muitas vezes se interpreta mal ou se confunde com a prostituição.
O assistente sexual deverá estar sob o paradigma da filosofia da vida independente: ser um apoio que nos permita chegar até onde habitualmente não alcançamos. Não terá de se despir ou nos dar prazer diretamente, e sim nos proporcionar tudo aquilo que está fisicamente proibido para nós.
Obviamente, será um trabalho sexual, mas de natureza distinta da prostituição.
É certo que algumas associações sem fins lucrativos facilitam todo tipo de encontros sexuais para os diversos − algo mais próximo da prostituição −, mas não é o caso ao qual estou me referindo. Eu falo de um assistente pessoal que se ocupe de questões estritamente sexuais e tenha a preparação adequada.
Assim ocorreu em minha experiência pessoal, e o resultado não poderia ser melhor. Embora, obviamente, tenhamos feito isso à margem de toda regulamentação, porque sua figura não está prevista em nenhum lado, meu assistente sexual pegou minha mão e a levou a lugares do meu corpo que eu jamais tinha explorado.
As pessoas que já trabalharam comigo costumam me dizer que minhas mãos são particularmente suaves. E, com a ajuda de meu assistente, senti pela primeira vez a suavidade de minhas mãos contra meu corpo: foi uma sensação comparável a fogos de artifício.
Este debate, na Espanha, ainda é muito incipiente. Mas necessitamos que se fale disso, especialmente para que não nos vejam mais como seres assexuados. Porque as pessoas diversas geramos formas diferentes de nos relacionar sexualmente e podemos dar contribuições no terreno da sexualidade, como uma concepção não centrada na genitalidade, e sim mais sensual e variada.
É claro que a assistência sexual que eu receber estará limitada. Por exemplo, ao me ver obrigada a pactuar estes encontros com antecedência, meus impulsos sexuais serão sempre programados. Mas assumo isso, e minhas experiências me mostram que, mesmo assim, vale a pena. Tomar as rédeas da minha sexualidade me reconciliou com meu corpo.

Jovem paraplégica faz relato inspirador sobre sexo

03:17:00
Na maioria das vezes, sexo entre deficientes físicos é visto como tabu. Rachelle Chapman, de 29 anos, é paraplégica e se abriu sobre sua vida sexual, com uma mensagem inspiradora e empoderadora.

A americana, de Raleigh na Carolina do Norte, perdeu o movimento de seu corpo do pescoço para baixo ao ser empurrada para dentro de uma piscina durante sua festa de despedida de solteira em 2009.



Depois do acidente, um dos maiores medos da jovem era de nunca mais sentir prazer sexual. Desde então, ela sempre conseguiu fazer sexo normalmente, mas não chega mais ao orgasmo como antes.

Por isso, com a ajuda de sua equipe de reabilitação, aprendeu novas maneiras de aproveitar a relação. Como Rachelle ainda tem sensações em seu pescoço, seu marido passou a utilizar essa parte do corpo como zona erógena.

Para acabar com a impressão - errônea - que as pessoas têm sobre a vida sexual de deficientes físicos, ela decidiu pousar semi-nua para uma campanha empoderadora.

"Eu espero que isso inspire outras pessoas a focarem nas coisas que amam sobre si mesmas e não serem tão críticas", disse a jovem em entrevista à People.

Além disso, ela teve sua própria iniciativa inspiradora no Twitter e Facebook. "Eu estou encorajando todo mundo a utilizar as redes sociais para dizer algo sobre que amam em si mesmos com a hashtag #WhatMakesMeSexy (O que me faz ser sexy, em inglês)".

Mesmo mostrando confiança durante o ensaio, ela ainda luta contra suas próprias inseguranças - especialmente sobre seu cateter, que é visível em todas as imagens.

"Eu quero dar uma nova cara para a deficiência",
contou com o objetivo de atingir outras mulheres paraplégicas. "Nós todos temos defeitos, e pela primeira vez na minha vida não estou escondendo meu cateter. Eu não vou me esconder mais."

Em 2015, Rachelle teve sua primeira filha - de uma gravidez de barriga de aluguel - e supera suas dificuldades um dia de cada vez.


"Pessoas acham que como paraplégica eu não consigo mover nada, mas não é verdade", desabafou. "Isso é principalmente para educar pessoas em relação a maternidade, do que sou capaz, como é ter uma lesão na espinha e meu relacionamento. Tem muita coisa que eu posso fazer e eu quero que as pessoas vejam isso."

Na Alemanha, partido sugere sexo gratuito para pessoas com deficiência

03:13:00

Apesar de ser totalmente legalizada na Alemanha, a prostituição pode ser muito cara para o bolso de algumas pessoas, em especial aquelas com algum tipo de deficiência.

A porta-voz do Partido Verde da Alemanha, Elisabeth Scharfenberg, defende que cidadãos com deficiência, que em certos casos possuem dificuldade em manter relações sexuais normalmente ganhem esse direito.

O benefício seria bancado pela população por meio dos impostos já pagos normalmente.

Com a proposta do Partido Verde, inspirada em uma medida adotada há alguns anos pelos vizinhos holandeses, a ideia é que os médicos “receitem” assistência sexual para esses indivíduos com capacidade reduzida.

A Alemanha já conta com alguns locais que oferecem serviços especializados para pessoas com cognição reduzida. O pacote costuma incluir toques afetuosos, fetichismo, servidão e sexo completo com o cliente, tudo pago de forma privada.

Via:www.metrojornal.com.br

Dilemas de uma cadeirante.

03:31:00

"Amiga preciso muito falar com você! Ei !!!!!!!!!!! Depois preciso falar com você!!!!!!!!!

Assim com todas as exclamações para chamar a atenção, eu não curto muito o whatsapp mais confesso, eita bichinho que adianta a vida, salva nas horas de aperto, encurta a distância. Mas vamos ao assunto que não podia esperar...

- Sabe, quando você quer namorar, o que você faz em relação ao cat (cateterismo vesical)? E será necessário uma pausa para esse assunto que é de extrema importância na vida de alguém que tem uma Lesão Medular, em meu caso sinto a vontade de urinar só que por motivos óbvios não tenho a capacidade plena de eliminar a urina como antes da Lesão.
Aí preciso introduzir uma sonda no canal da uretra para drenar a urina que fica  na bexiga, se essa urina não for drenada as consequências são as piores, como infecções urinárias , e as frequentes infecções podem nos levar a morte, sim muitos cadeirantes morrem não de sua lesão e sim de uma falta de observância em relação a esses fatores.

Ok, cuidados diferenciados, mais todos tem  seus cuidados? A questão é estamos falamos de tetra pra tetra e vocês sabem em meu caso específico faço muitas coisas,faço minha make, penteio os cabelos, escrevo, escovo os dentes, digito, sem adaptações claro conquistei isso com foco, muita repetição e fé, mais eu até sinto minhas mãos de um ano pra cá, só que não mexo os dedos, então como conseguir segurar uma sonda de alívio e introduzir na uretra sozinha? Mais um treino para minha vida, estou quase conseguindo ,porém até lá é preciso de ajuda, e ainda bem eu tenho quem cuide de mim.

Então fica fácil entender a neurose da menina, ela ia pra cama com um cara andante(sem nenhum tipo de deficiência), e estava com dúvidas vergonhas sei lá o nome , o fato é que qualquer cadeirante que tem a bexiga neurogênica como a minha ,sempre é bom fazer o cat antes da relação, pois com a força que o pênis faz ao ser introduzido, se a bexiga tiver esse resquício de urina pode acontecer dessa urina sair na hora H e para algumas meninas isso causa desconforto constrangimento.

Como devemos agir em relação as nossas limitações? Se você não tiver uma mente boa e amor próprio pode acabar  pirando, é necessário trabalhar a autoestima e o essencial  vou dizer nas próximas linhas .

Aceite sua situação, mesmo que você tenha a esperança de voltar andar nesse momento no caso da amiga, que está tetraplégica ela precisa de ajuda isso é notório. Pare de achar que é um peso que o cara vai se mandar quando souber de suas necessidades, acorda, ele já imagina que alguma ajuda  você precisa.
E primordial fale para ele o maior interessado, o cat não é nada demais o necessário são  os cuidados com a higiene, lavar as mãos etc...antes de transas longas é importante para que você não  preocupe com  nada  negativo, só com o  prazer e se concentre em sentir a sua forma e dar prazer.
Já ouvi histórias (rsrs) de que quando a menina pediu ao ser parceiro para ajudar no cat, ele ficou bem excitado, e o motivo disso é toda intimidade a dois antes do sexo pode agregar muito para a relação.

Tem homens que acharão a Fernanda um peso? Sim
Alguns que irão ler esse texto acharão mulheres com deficiência são complicadas? Sim
Agora todos os homens\mulheres irão pensar assim? Logico que não.. só de você receber esse convite desse cara significa que ele tem muito interesse em você.
Ou então peça pra ele ler esse post..rsrsrs  brincadeira ..vá  ser feliz."

Fonte: Blog Todos & Todas

Sexualidade e suas curiosidades...

04:59:00
É um assunto polêmico e curioso! Principalmente para aqueles que são recentes de lesão, aqueles que nasceram e ainda não tiveram experiência.


"O que fazer?... Onde tocar?... Será que vai sentir algo?... Será que pode fazer posição?... Será que ela/ele faz sexo?... Será que vou machucar ela/ele?..."

São milhares de perguntas que passam pela cabeça de uma pessoa SEM deficiência, pois nos enxerga em uma cadeira de rodas, apesar de estarmos bem vestidos, sensuais, nos divertindo etc, é bem difícil nos imaginarem na cama por ser algo um pouco desconhecido!

Sim, somos cadeirantes e fazemos SEXO! Só que com a gente, você vai ter que mostrar que está disposto a descobrir como funciona a nossa sexualidade e verá que não tem nada de tão diferente assim, mas também não podemos generalizar, até porque cada caso é um caso.

Existem diversas deficiências e cada uma ocorre dificuldades em diferentes formas. Como por exemplo as pessoas que sofre uma lesão medular e perde parte de sua sensibilidade e controle da bexiga, essas pessoas são obrigadas a fazerem cateterismo (passar sonda) antes da relação sexual, sendo homem ou mulher. Pois na hora do ato sexual, pode acabar estimulando e o lesionado por acabar fazendo algumas gotas de xixi! Mas não se assuste, isso não acontece facilmente, ao menos se tiver bebido muito e não passar a sonda, ai já era! (Risos)

São detalhes simples e tão natural, mas que muitas vezes é desconhecido para alguém que não tenha deficiência, por isso é sempre legal pesquisar sobre estes assuntos e conversar abertamente com quem é cadeirante para conhecer a sua realidade. 

Hoje trago pra você, historias de diversos cadeirantes falando sobre sexualidade... São histórias divertidas e experiências de vida lindas que vale a pena leem. 
Boa leitura:

~

"Foi horrível minha primeira vez! (Risos)
Estava insegura, com medo e vergonha. Mas até que rolou, porque minha preocupação era se eu ainda podia ter vida sexual.
E vi que mesmo assim na cadeira eu ainda sou uma mulher, com os mesmos desejos e vontades.

Bom eu sou bissexual, aliás, não gosto de rótulos. Digo que gosto de pessoas e antes da lesão estava há 2 (dois) anos, separada do pai da minha filha. Com quem fui casada por 11 (onze) anos.Depois da lesão tive experiência sexual com um homem.

Minha lesão é incompleta, mudou, mas ainda tenho sensibilidade. Ganhei e aprendi a conhecer outros pontos que também dão prazer.

Quem passou a sonda foi a minha parceira, o desconforto que tive foi pela falta do jeito, o medo de machucar,
Tem diferenças entre o homem e a mulher, acho o homem por mais que seja cuidadoso ainda é diferente a mulher é mais delicada.
Passo a sonda para fazer xixi, mas no começo aconteceu de perder xixi e não mais. Só se eu beber muito e não passar a sonda.
Tenho a fantasia de fazer amor na praia.
Tenho uma filha e sempre conversamos abertamente e é como falo pra ela: “não somos obrigados a gostar de nada, mas não podemos julgar ninguém por opção sexual ou religião. Nós temos no mínimo a obrigação de respeitar.”
Temos alguns cuidados até porque sabemos como é a cabeça da molecada nessa idade, então tento não expor ela.
Ainda nos olham diferente e você quer ver o espanto maior, é quando nos veem e perguntam: “Ah vocês são irmãs?” E respondemos: Não somos casadas.
A aceitação está melhorando, até porque trabalhamos na mesma empresa e somos respeitadas lá como um casal. E muitas vezes ela tem que me ajudar na hora de passar a sonda.
Bom só uma coisa, com lesão ou sem lesão amor é amor em qualquer condição e o sexo é um complemento que é como andar de bicicleta nunca se desaprende apenas se reinventa."

Katia simplesmente Katia (Risos) 33 anos,
Paraplégica / São Paulo


"Minha primeira vez depois da lesão não foi boa, pois quis fazer para experimentar! Foi uma curiosidade. 

Acho que foi igual quando a mulher faz por fazer e não sente nada, pois nem preliminares eu tive. Tipo, colocou lá e pronto! (Risos)

Com um tempo aprendi que eu precisava ser tocada, ser seduzida, que o meu corpo agora agiria diferente! Quando fui chamada para ser paciente do Hospital Sarah, lá tive aulas que eu poderia ter vontade e sentir prazer. 

Acho que tudo está no nosso cérebro, pensamentos ajudam muito! E também aprendi que o ato sexual iria estimular fazer xixi e na hora da relação eu poderia fazer (pingar o xixi) caso eu não passasse a sonda (cateterismo). Então conversei tudo isso com meu namorado e um foi conhecendo o corpo do outro!

Digamos que depois de 2 (dois) anos de lesão, tive minha primeira relação sexual “normalmente” e prazerosa. Ele fez com que eu desejasse e sentisse prazer e vontade de ter ele por inteiro. Só digo uma coisa, tudo está na pegada! Se não tiver toque, paciência em me seduzir, não vou sentir tesão hehehe...

Até hoje não tive nenhum incidente com xixi, sempre cuidei com que isso não acontecesse. Mas converso isso abertamente com meus parceiros, pois se acontecer eles não vão se assustar né?!

Tudo esta na conversa, abrir o jogo! Nunca se sabe o que pode acontecer na hora do amor.
Nunca tentei nenhuma posição diferente AINDA! Nem realizei a fantasia de ir ao motel e fazer na hidromassagem!

Minha sensibilidade é diferente, quando o cara me beija, me toca...e vai beijando mais e mais, eu vou sentindo vontade e o desejando, até a hora que quase subo pelas paredes. E um ex-namorado quando me tocava dizia: “Você está molhada”.

Para mim, foi uma recompensa, percebi que meu corpo funcionava normalmente. Até que procurei médicos e procurei saber se poderia ser mãe, e sim! Posso ser mamãe normalmente. Agora o cuidado é redobrado, para não ser mãe agora!
Surfistinha, 29 anos
Paraplégica / Rio de janeiro

~

Minha experiência quanto à hora de ter a relação é o fator equilíbrio, pois na hora da posição, ficar de quatro para penetrar na mulher, preciso de apoio para não cair pra trás ou em cima das costas da parceira, porque o equilíbrio de um poliomelitico é por vezes falho e precisa de um apoio nos braços para se manter de joelhos, nas demais posições. 

Como a posição "papai e mamãe" é fácil e confortável. A mais gostosa sensação é a mulher vir por cima, pois dá uma penetração total. Adoro sexo oral, pois é a coisa mais gostosa e carinho em pessoas que se amam. 

Aurélio, 52 anos
Poliomielite / São Paulo

~

"Sempre que estava namorando, eu percebia que sempre ficava umedecida, com muita excitação, sempre percebi que sentia a parte íntima. Até que u
m belo dia fomos ao motel e estava muito nervosa, claro que nem demonstrei. Ao chegar lá, antes de sairmos da garagem ele me deixou no carro, pegou minha cadeira e viu se passava na porta (coisa de quem sai com cadeirantes). Aí ele voltou sentou perto de mim no banco do carona, tirou minha blusa e olhou para os meus seios, meio tímido. Aí peguei a mão dele passei em meus seios o beijei e pedi para ele me tocar.

Namoramos muito e fui ficando um pouco calma, meus medos eram: Será que dou prazer a ele? Será que vou sentir? Ou será que vou fazer xixi aqui? Que mico!

Na hora que ele me deitou na cama, ele tirou a bermuda e a sunga ,quando o vi excitado, muito excitado, me senti muito mulher. Entreguei-me e naquela tarde transamos duas vezes, pois eu pedi mais e não urinei, mas percebi que gozei muito.

Existem motéis muito perto de minha casa, daí passo sonda em casa mesmo, mas já conversei com ele, quero que ele passe em mim e claro ele ficou muito interessado.

Eu sinto a parte íntima desde quando saí do hospital, mesmo sendo tetraplégica.

Em relação à fantasia sexual, gostaria de me passar por outras mulheres, mas a melhor fantasia é sentir prazer e dar prazer. Esse é meu clube."
Loira em Duas Rodas, 33 anos
Tetraplégica / Rio de Janeiro

-

“Minha primeira vez depois da lesão foi estranha. Diferente! Não reagi bem, foi desconfortante. Ele agiu normalmente, como se nada tivesse mudado.

Eu ainda não fazia o cateterismo, mas não foi impedimento. Aconteceu o incidente de não passar a sonda e durante a relação sexual pingar o xixi. (O que é normal, se não passar sonda!).

Minha sensibilidade mudou, não é como antes. Mas não é uma coisa de outro mundo. Sinto prazer, não como antes, mas sinto.

Nunca tive vontade em relação à fantasia sexual, nem antes da lesão. “Não realizei e nem pensei no caso ainda.”

Jacy, 25 anos.
Paraplégica / Pernambuco

~

“Minha primeira vez depois da lesão foi maravilhosa, peguei um parceiro muito carinhoso e atencioso. Na hora de passar a sonda eu fiz tudo sozinha fiquei um pouco retraída (vergonha), ai como já estava toda pronta foi só um abraço. 

Só que pensei, como já passei a sonda (cateterismo) não vai vazar xixi. Mas com o coração a mil e as sensações a flor da pele, acabou vazando xixi! 

Senti-me horrível na hora, mas ele disse: “Para com isso”. 

Minha sensibilidade é grande, mas não consegui chegar ao orgasmo. Para mim mudou muito porque quando andamos vamos tirando a roupa se prende na parede e muitas outras coisas. 

Minha fantasia seria rolar no “pole dance” e chicotear o cara! Uma coisa que gosto muito é que puxem meu cabelo e me maltrate, sou meio masoquista.”.

Taradinha, 31 anos
Mielite Transversa. Belém

~

Minha primeira vez foi bem interessante depois da lesão. Eu estava internada fazendo tratamento no Sarah e tive aulas de sexo. Quando sai para passar o final de semana fora do Hospital Sarah, fui praticar. Meu parceiro foi uma pessoa bem atenciosa eu expliquei e rolou. Ele se surpreendeu, pois disse que jamais pensava que eu era aquela mulher toda na cama.

Enfim no inicio fiquei um pouco tensa depois relaxou. Mas não senti o orgasmo de antes, mas só o fato de esta mantendo relação sexual, eu me senti mais mulher. Até porque eu pensava que nunca iria manter essa vida ativa com a lesão.

Eu sempre preciso de ajuda para passar a sonda, quando é a primeira vez da relação sexual eu faço de tudo para alguém mais intimo (mãe, irmã, amiga) passar a sonda. Depois eu explico que faço tratamento da bexiga (bexiga neurogênica) e ensino meu parceiro a fazer o cateterismo.

Desconforto só tem quando faço uma posição que meu corpo rejeita me dando disreflexia (arrepio no meu corpo ou meu rosto esquenta) procuro fazer outra posição e tudo fica tranquilo.

Incidente? Já tive sim! Já fiz xixi na hora do sexo, mas graças a Deus o meu parceiro foi bem legal e continuamos como se nada tivesse acontecido.
Eu não tenho sensibilidade nas minhas partes intimas. Mudou e muito, mas eu trabalho o meu psicológico.

Depois da lesão só mantenho sexo olhando os movimentos, eu sempre digo que eu trabalho o meu psicogênico para chegar até uma sensação gostosa, meu prazer maior é vê meu parceiro sentindo prazer.

Já fiz muitas loucuras, mas fantasia depois da lesão ainda não realizou completamente! Foi apenas pela metade. Uma das minhas fantasias é transar com um parceiro bem fofinho, aonde quase realizei, mas o lugar não estava apropriado para nós dois.
Tenho uma fantasia que é complicada, mas não impossível. Que é fazer amor com um heterossexual e um homossexual. Quem sabe um dia, não é?!
Mery 29 anos
Tetraplégica / Amapá

~


Foi melhor o que eu esperava! Com um cara que já conhecia e me senti bem à vontade, eu mesma passei a sonda.
Na verdade nunca ninguém passou, porque eu consigo de boa! Desconforto nenhum e incidente teve antes da relação sexual (perca de urina). Mas na hora nada! Não realizei nenhuma fantasia e no momento não tenho nenhuma.

Wheels Pink, 32 anos
Paraplégica / Santa Catarina.

~

Tipo, a minha primeira vez pós-lesão aconteceu dois anos depois. Eu não uso sonda, então só fiz xixi normal e foi. (Risos)

Tipo estava um pouco apreensiva, mesmo assim foi legal, mesmo não sentindo muita sensibilidade. Depois de algumas vezes ficou melhor, muito melhor (Risos).
Na primeira vez não tive incidente, mas uma vez fiz xixi em cima do meu ex-namorado (Risos).

A minha sensibilidade é boa! Sinto tudo, só preciso de algumas adaptações e também com o tempo fui descobrindo novos prazeres e posições que eu conseguia realizar.
Meu ex-namorado era bem companheiro e fizemos muitas loucuras juntos.
Uma vez ele me colocou em pé e segurava com o joelho a perna ruim. Putz! Ficamos naquela loucura (Risos)

Outra vez começamos na cadeira e terminamos na cama. Eu acho que a fantasia que quero realizar é fazer na cadeira e terminar na cadeira.

Eu e meu ex-namorado fomos a um motel e a minha outra cadeira estava dentro do carro, ele fingiu que era cadeirante e até tirou a cadeira, sentado para depois sentar. Foi nesse dia que tudo pareceu mágico.

A situação criada, em ele não mexer as pernas me fez sentir prazer. E foi daí em diante que tudo melhorou.

Começamos na cadeira, os beijos, amasso, mas o resto terminou na cama.

Cadeirante Subversiva, 33 anos.
Paraplégica / Santa Catarina


~

Minha primeira vez depois da lesão eu estava muito insegura. Não consegui relaxar direito, estava com medo, pois era tudo diferente.
Eu aprendi a passar sonda no Hospital Sarah. Sempre passei sozinha, mas com espelho. Sem o espelho não consigo.
Tive vários desconfortos. Dor nas costas, pés inchados, também perdia xixi durante o sexo, mesmo fazendo o cateterismo antes.
Minha sensibilidade é toda bagunçada. Tem lugares que sinto outros não.
Tem lugares que se apertar eu sinto...outros não!

Mudou totalmente minha vida, até a forma de viver e ver a vida. Amadureci muito, aprendi a ter fé e acreditar em meu potencial.
Não fiz nada de diferente no sexo, sempre na cama e no sofá. Não fui tão aventureira. Mas tenho várias fantasias ainda para realizar. (Risos)

F.F, 33 anos
Paraplégica / Paraná

~

Nasci com a deficiência, tenho sensibilização normal, não uso sonda.
Minha primeira vez foi com 18 anos com meu primeiro namorado, no começo foi estranho porque achei que teria alguma limitação. Mas pelo contrário só não transei em pé porque não ando porque o resto, até encostada na parede foi!
Já realizei várias fantasias minhas e dos meus parceiros, a mais louca foi com meu parceiro dirigindo em uma avenida movimentada da cidade e eu em cima dele transando que nem uma louca era em um horário movimentado, e o pior dentro de um uno! Joguei o cabelo no rosto e já era!


Lis Loureiro, 24 anos
Artroglipose / Mato Grosso do Sul

~

A minha primeira vez depois da lesão foi constrangedora, porque estava muito tímida. 
Eu mesmo faço o meu cateterismo. Tive desconforto ardeu um pouquinho para passara sonda. Minha sensibilidade é pouca, 
Realizei uma fantasia, fazendo sexo oral em um garoto na beira da rua. Adorei! 
Só não gosto que toque na minha perna, gosto que me toquem onde eu sinto, onde tenho sensibilidade.
Gosto que me chame de Amanda sou travesti desde os 16 anos, minha lesão foi com arma de fogo (ciúme do ex-namorado) aos 18 anos. 
Sempre fui sincera, na cadeira, ou antes, em relação com minha sexualidade.
Já vazou xixi, só não percebeu porque estava de costas pra ele e não deu para perceber. (Risos). E se caso ele visse, eu não me envergonharia não. Eu tiraria tipo como se fosse à brincadeira, eu não sou mais tímida como era no começo.
Quando vou ter relação eu faço uma lavagem, tem o material apropriado. Não é como antes.



Amanda, 27 anos
Paraplégica / Acre





Minha primeira vez foi um tanto interessante, fiquei super curioso para saber até onde eu poderia chegar. Não tive tantos problemas na questão de medo e ansiedade, pois eu namorava antes da lesão e continuei com o mesmo namoro depois da lesão, minha parceira de cara já me deixou tranquilo, porque nos conhecíamos muito bem um ao outro. Com esses fatores me favorecendo eu estava certo que nada pudesse da errada, mais não foi tão perfeito, porque logo de cara você se vê em uma situação um pouco delicada. 
Claro, antes poderia fazer de todas as formas e posições e com o andamento da primeira relação vi que tinha mudado bastante as coisas, então ao fim dessa primeira experiência eu não fiquei satisfeito. 
Do meio para o fim tive problemas de ereção por conta da situação que me passou pela cabeça naquele momento e como qualquer coisa nova em teste, fui testado e vi que tudo era questão de tempo e de aprendizado. Com o passar do tempo fui aprendendo onde e como poderia melhorar nossas relações sexuais, fui ganhando mais sensibilidade, confiança e assim descobrindo o ponto do prazer. 
Hoje temos uma relação sexual normal, hoje consigo ter ejaculação que é um ponto muito bom, pois desde a primeira ejaculação após lesão me senti mais homem, mais seguro, e confiante.
O segredo é se conhecer, souber onde te faz sentir mais tesão, onde e como você se sente mais satisfeito.
Para eu ter uma vida sexual ativa, isso foi essencial.
Nessa questão da sonda, eu sempre faço o cateterismo antes, por sentir mais segurança e sempre que vou ter relação evito beber muita água, pois com a bexiga vazia sinto mais prazer na hora do sexo.Ainda não tive nenhum incidente na hora da relação, sempre porque estou me prevenindo antes “da pega pra capar” (Risos).Minha sensibilidade é muito boa, tive uma grande melhora nessa parte, principalmente nas partes íntimas. Como eu disse, mais por conta de ter relações com uma pessoa que eu já tinha relações, isso me faz dizer que não mudou muito. Essa parte de fantasias eu não realizei nada depois da lesão, quer dizer tem algumas fantasias bobas mesmo que eu já tinha antes da lesão que às vezes continuo com elas, mais algumas que tive vontade por ser inédita, não realizaram nenhuma.E outra à minha maior fantasia depois da lesão é voltar a transar em pé, (Risos).E pra quem acha que por ser deficiente não pode ter uma vida sexual saudável, estou aqui para desmentir, é possível sim ter relação e ter prazer. Estou muito bem nessa parte, sinto que minha namorada, hoje esposa é satisfeita e isso é a minha maior vitória, satisfazer quem você ama é maravilhoso e dentro dessas relações amorosas, foi gerada uma criança, ela está grávida de dois meses e com fé em Deus realizarei mais esse sonho, Obrigado pela oportunidade Vanessa.

Diego Chaves 25 anos
Tetraplégico / Maranhão




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