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MÃES CADEIRANTES: "Precisamos urgente de profissionais da saúde qualificados para nos atender!"

14:41:00

A gravidez é um momento mágico onde o sentimento de amor transborda... Mas ao mesmo tempo, as mães ficam mais sensíveis e precisam que todos em sua volta as mantenham tranquilas e relaxadas para que nenhum sentimento ruim seja passado ao bebê.

Mesmo depois de seu filho já ter nascido, a fase do desenvolvimento da criança também é marcada por momentos delicados. "Será que estou sendo uma boa mãe?... Estou conseguindo ajudar o meu filho a se desenvolver como deveria?"


Quando surgem essas dúvidas e anseios, é aos profissionais da saúde que procuramos apoio, é neles que depositamos total confiança sobre nossas vidas e de nossos filhos. 


Mas, o que fazer quando até os profissionais são preconceituosos/capacitistas, e não possuem conhecimento algum sobre a gestação, e desenvolvimento de bebês, das mamães com deficiências?   


Em uma conversa num grupo de mulheres com AME (patologia genética), várias mães aceitaram dar seu relato para falar sobre situações que vivenciaram, pois todas sabem da grande importância e necessidade deste assunto ser debatido.




Kelly* havia recém se casado e começou a consultar profissionais para saber sobre a possibilidade de ser mãe. Porém, logo no início deste sonho, ela foi desmotivada pelo seu ginecologista.

       "... Lembro de ter escolhido consultar-me com ele por ele ser chefe do setor de gravidez de risco de um hospital aqui da minha cidade, achando que ele tivesse maior conhecimento...
       Mas, ao me consultar, ele foi terminantemente contra, dizendo que não tinha como prever os efeitos da gravidez nos meus movimentos e que depois que nascesse, os movimentos poderiam não voltar... Aí completou dizendo que nem pílula era aconselhável e que meu marido tinha que fazer vasectomia para não correr o risco... 
       Com isso, nem conversássemos mais sobre gravidez nesses anos todos... meu marido, por se preocupar muito comigo, chegou consultar com um urologista para marcar a cirurgia... graças à Deus o médico falou que não faria de jeito nenhum!..."

Kelly e seu marido consultaram outros profissionais e decidiram tentar...  Logo que descobriu que estava grávida, ela contou para sua médica neuropediatra com qual tinha há anos uma relação de amizade. Mas logo depois que a médica recebeu a notícia, ela acabou se afastando por não concordar que Kelly engravidasse, cortando todo vínculo que tinham.  


Hoje seu bebê é recém nascido, mas infelizmente o preconceito e a falta de qualificação destes profissionais ainda sobressaem. Vejam o relato de Kelly:


       "...Tive um episódio que me abalou muito enquanto minha bebê estava na UTI neonatal por ser prematura... Eu estava abaladíssima e a médica veio falar pra mim que eles desconfiavam a necessidade do Cpap naquele momento poderia ser por causa da Ame! Dando a entender que era "por culpa da minha deficiência" que ela estava usando o aparelho, mas hoje sei que é um procedimento comum que fazem em qualquer criança prematura.
        Nossa! Vocês não imaginam como foi isso pra mim! Parecia que um míssil tinha caído sobre a minha cabeça!... Mas hoje já estou em casa com ela, e ela respira sem dificuldade alguma!..."

O que era pra ser um momento mágico, acaba se tornando um momento de aflição! 

É o que acontece com Andréia, mãe de um bebê de 11 meses, que diz que não se sentir confortável ao pensar e falar sobre o assunto por ter sofrido tanto preconceito vindo da própria pediatra que atendia o bebê nos primeiros meses:


         "...Pelo meu filho ter nascido prematuro e hipotônico devido a falta da minha carnitina durante a gestação, já era sabido que ele ia demorar um pouco mais a fazer as coisas... E assim foi, ele demorou um pouco mais para sentar, ficar de bruços... Eu sabia que isso era normal, mas, a pediatra dele nunca aceitou. Sempre disse que o desenvolvimento tardio dele nada tinha a ver com a prematuridade ou os problemas no nascimento, mas sim, por eu ser cadeirante e não estimular ele! Por mais que eu falasse, explicasse que fazia tudo com ele em casa, ela não acreditava... A situação foi ficando tão insuportável que nas últimas consultas, deixei só o pai levar ele..." 




A condição física das mães com deficiência acaba não sendo o principal motivo pelo qual passam por tudo isso, mas sim, pela falta de informação e pelo capacitismo dos profissionais da saúde e de todas as outras áreas. 

Rafaela* também comentou algo importante e que deve ser assunto de reflexão:

         "...Podemos notar que o preconceito já acontece no momento em que chegamos a um consultório médico, muitos não são acessíveis, não possuem macas adaptadas e nem aparelhos que nós, mulheres com deficiência, podemos usar facilmente. Com isso percebemos que não somos lembradas e nem vistas como parte dos pacientes... 

         E esse desinteresse, também reflete no comportamento e julgamento dos profissionais da saúde... Precisamos urgente de profissionais qualificados para nos atender... Em TODAS as vezes que vou em um consultório médico, ou hospital, eu sempre escuto alguma frase preconceituosa que me ofende profundamente..."

 *Nome fictício 

"Por receio, guardei o sonho de ser mãe por muitos anos" - Paula, conta como está sendo a sensação de ser mãe.

16:40:00
Quando uma mulher engravida mil sensações, emoções e dúvidas começam a surgir do nada! É alegria misturada com ansiedade, aflição misturada com sensação de sonho realizado e surpresa misturado com insegurança... 

Se você está passando por isso, ou ainda deseja passar, fique com a gente e veja a a conversa que tivemos com Paula Zanata, a mamãe cadeirante que contou todos os detalhes de sua primeira gravidez.  


Paula nasceu com Amiotrofia Medular Espinhal, justamente por isso ela não se permitia assumir a vontade de ser mãe, pois sabia que muitos questionariam a sua decisão... Mas, depois de 9 anos ao lado de Alexandre, sendo 6 anos e meio de casados, Paula se sentiu segura para viverem juntos esse sonho. 

Hoje ela está com 35 semanas (8 meses e meio), e está preparada para a chegada da amada Alice!

Conversei com Paula e ela nos contou tudinho. Leia a entrevista:


-Antes de você ser mãe, com certeza passou por momentos em que pensava a respeito de sua deficiência. Como você sempre encarou isso?

Em meu coração sempre existiu o desejo de ter uma vida normal, comum. Em conversa com Deus, pedi para ter uma vida "normal" e que isso fosse o maior milagre q pudesse viver. Desde aquela conversa, assim tem sido. 
Aproveitei as oportunidades proporcionadas por uma família maravilhosa. Nunca dei atencão para aquilo que não podia fazer mas sempre empenhei todas as minhas poucas forças naquilo que poderia fazer. 

Desde aquela conversa com Deus, todos os dias vivo o milagre de depender somente dEle. E assim foi ao concluir a faculdade, a aprovação em dois concursos públicos federais, o encontro com o meu amor, o nosso casamento, o nosso lar e agora o nascimento de nossa filhinha.

Nossa vida absolutamente simples, comum e "normal" faz com que experimentemos a grandiosidade do simples gesto que é VIVER!

-Paula, você sempre sonhou em ser mãe?

A possibilidade de gerar um filho sempre foi um tabu para mim. Minha família sempre foi contra por zelo e proteção. Tive também algumas opiniões médicas contrárias à ideia. Por receio ou por não querer desagradar ou desobedecer, guardei esse sonho por muitos anos até que ao completar 37 anos a ficha caiu e me dei conta que era preciso enfrentar aquela situação. Primeiro intimamente, admitindo pra mim mesma que esse sempre foi o meu maior desejo e depois enfrentar as circunstâncias que estariam por vir.


-Deixando as opiniões de lado, você mesma tinha receio de engravidar devido a sua condição física?

Tinha sim muito receio pois uma gravidez já traz em si questões imponderáveis e imprevisíveis e no meu caso ainda mais. Após buscar avaliações de vários especialistas, obtive pareceres favoráveis quanto à minha condição específica, o que de certa forma tranquilizou o meu marido que até então era resistente por temer que alguma coisa pudesse acontecer comigo. 
Na primeira noite sem prevenção, Alice foi gerada. 

-Ao dar a notícia de sua gravidez, você sentiu uma certa pressão a mais vindas das pessoas em sua volta pelo fato de você ter uma deficiência?

Ao dar a notícia, muitos se emocionavam mas logo em seguida vinham os questionamentos de como seria cuidar de uma criança, se "daria conta" de cuidar da minha filha, se eu tinha noção do que era ter um filho, etc.


-Demorou para "cair a ficha" que uma vidinha estava sendo gerada dentro de seu ventre?

Por ter engravidado tão rápido, ficamos surpresos no início mas a medida que o tempo passava, íamos acreditando que aquilo tudo estava acontecendo. A cada ultrassom, a cada movimento dela na barriga, fui me dando conta de que aquele sonho tão distante era real e estava acontecendo. 

-Você conseguiu achar com facilidade um médico para acompanhar sua gestação? 

Antes de engravidar, procurei por uma médica muito conhecida em minha cidade. Ela foi muito receptiva aos meus questionamentos sempre me passando muita segurança e tranquilidade. Ao iniciarmos o pré-natal, ela fez questão de que os outros especialistas também me acompanhassem.


-Quais os cuidados especiais que você está tendo?

Várias medidas foram adotadas por esses especialistas, cada um em sua área. Um programa intensivo de fisioterapia respiratória, motora e drenagem linfática. O uso diário de injeção anticoagulante e também meias de compressão. 

Adoção de uma dieta específica a fim de evitar ganho de peso acompanhada de suplementos e polivitamínicos. E também as consultas médicas e exames mensais. 

-Como será o parto?

A princípio será anestesia geral, mas o anestesista está analisando a possibilidade de ser usada a raquidiana já que possuo escoliose. 

-Já tem tudo preparado para a chegada da bebê?

Fizemos questão que Alice ficasse conosco por isso reformamos o nosso quarto que já está pronto. As roupinhas dela já foram lavadas e a bolsa para a maternidade já está pronta. 


-Que dia está marcado para a Alice nascer?

A meta inicial era 32 semanas, a partir de agora dependerá do meu estado geral que será analisado a cada semana. 

Esta conversa aconteceu na semana passada, e hoje pela manhã, recebi a notícia que Alice nasceu! 

Elas estão bem e Alice veio ao mundo recebendo muito amor de sua família! 

Bem vinda Alice!!!! 



Fotos: kivia Maria fotografia.
kiviamariafotografia.com.br 

Casal que convive com esclerose múltipla espera o primeiro filho

05:12:00

Bruna e Jota se conheceram na internet por causa do diagnóstico de esclerose múltipla – uma doença autoimune na qual o organismo ataca a si mesmo –, mas isso não é, nem de longe, a única coisa que compartilham. Os dois têm o mesmo gosto quando o assunto é música e literatura. Seguem carreiras acadêmicas – ela faz doutorado em Educação, ele, em História. E, agora, comemoram uma das fases mais felizes de suas vidas, esperando com ansiedade pelo dia em que vão se transformar em três.

A decisão de engravidar surgiu pouco depois que Jaime dos Santos Jr. (o Jota), 33 anos, mudou-se de São Paulo para morar com Bruna Rocha Silveira, 30, em Porto Alegre. O casal já sabia dos cuidados necessários para levar uma gravidez com a doença e, antes de qualquer providência, consultou a neurologista que os acompanha. Bruna tinha condições de planejar uma gestação, pois estava há aproximadamente um ano sem os sintomas agudos da doença.

Ela lembra perfeitamente da última vez em que precisou fazer pulsoterapia – tratamento para conter os surtos:

– Faço a medicação no 11º andar do hospital e, de lá, dá para ver a maternidade, no 10º. Ficava olhando para baixo e, vendo os bebês, pensava: da próxima vez que eu voltar, vai ser para aquele andar.

Com monitoramento médico, Bruna interrompeu a medicação em novembro do ano passado, alguns meses antes de começarem a tentar, e engravidou em março. Para compartilhar a experiência e tirar dúvidas, Bruna e Jota publicam semanalmente um vídeo no canal Esclerose Múltipla e Eu, no YouTube. Nesse espaço, respondem perguntas que muitas vezes os incomodam, como se eles podem ter filhos "apesar da esclerose múltipla" e o que vão fazer se a criança também tiver a doença.

– E daí se tiver esclerose múltipla que nem a gente? Por acaso não estamos felizes, fazendo planos de vida? Se o nosso filho tiver, já vai nascer em uma família que sabe lidar muito bem com ela – sentencia Bruna.

Jota utiliza cadeiras de rodas em razão da doença. No sofá da sala, ele coloca e recoloca cadarços em um sapatinho de bebê para melhorar a motricidade fina. Não esconde o medo: será que vai poder levar o seu filho à pracinha? Vai conseguir pegá-lo no colo? Como de costume, é Bruna quem o tranquiliza:

– Tu não vais ser aquele pai padrão, o estereótipo de pai, mas tu vais ser o pai que tu podes ser, e eu vou ser a mãe que posso ser. Como qualquer pai e mãe.

O bebê será o primeiro do casal, o primeiro neto das mães deles e o primeiro bisneto das avós. Como o primeiro em tantos níveis, já está sendo mimado antes mesmo de nascer. Bruna destaca que tem uma boa rede de ajuda na família – como toda mãe deveria ter, salienta –, e que vai lembrar de todo mundo que se coloca de prontidão para ajudar.

– Eu digo: vou anotar teu nome. Quando eu quiser dormir e ele estiver chorando, vou te ligar – diverte-se.

Com 14 semanas de gestação, o casal ainda não sabe o sexo do bebê, mas duas gavetas do guarda-roupas já estão lotadas de presentes para o pequeno. No quarto dos dois, o berço está montado – foi comprado em um brechó e instalado somente para ver se estava inteiro. Babões, os dois não tiveram coragem de desmontar. O apartamento ganha pouco a pouco adereços infantis, lembrando Bruna e Jota que faltam menos de seis meses para o amor se multiplicar.



Quem tem a doença pode engravidar?

A neurologista Maria Cecília Aragon de Vecino, coordenadora do Centro de Esclerose Múltipla do Hospital Moinhos de Vento, afirma que a mulher com esclerose múltipla pode engravidar, mas preferencialmente quando a doença estiver bem controlada. Em razão da suspensão da medicação, recomenda-se que esteja há pelo menos um ano sem surtos e sem lesões novas diagnosticadas na ressonância.


Com relação a futuros pais com esclerose, não costuma haver problemas – mas cada caso deve ser avaliado. Exceto em famílias com amplo histórico do problema, o fato de os pais terem a doença não aumenta muito o risco de o bebê ter também, de acordo com a especialista.

Segundo a neurologista Elizabeth Regina Comini Frota, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia, é indicado interromper o tratamento antes de engravidar, e também durante a gestação e a amamentação – exceto se a mulher apresentar uma piora comprovada. Ela destaca que é necessário cuidado no período pós-parto, pois pode ocorrer agravamento da doença:

– Durante a gravidez, o sistema imunológico tem de conviver com o feto, que é metade estranho ao organismo da mãe. Por isso, como a natureza é sábia, há um adormecimento do sistema imunológico, ele fica controlado. Existem algumas doenças que podem piorar na gestação, mas não a esclerose que, em geral, fica em remissão nesse período.

Antes de mais nada, o casal deve procurar um neurologista capacitado e um obstetra que tenha noções de esclerose múltipla, de acordo com Maria Cecília.

Diagnóstico ainda é um dos principais desafios


Imagine um exército criado para proteger as terras do seu rei. Certo dia, a tropa entende que está sendo atacada, não identifica o suposto inimigo e acaba bombardeando o próprio castelo.

É isso que ocorre no sistema nervoso central de quem tem esclerose múltipla, doença autoimune que atinge cerca de 35 mil pessoas no Brasil. Na metáfora utilizada pela neurologista Maria Cecília Aragon de Vecino, o exército trapalhão é o sistema imunológico do paciente, que ataca o sistema nervoso central, gerando lesões cerebrais e medulares.

O diagnóstico nem sempre é fácil, porque os sintomas da esclerose múltipla são facilmente confundidos com os de outras doenças (ou de doença nenhuma) – como visão embaçada ou dupla, fadiga, tontura, perda de força ou de equilíbrio e até alteração de sensibilidade. O problema acomete principalmente jovens adultos e pode gerar comprometimento do movimento dos membros, da visão, transtornos cognitivos, entre outros problemas.

De acordo com a neurologista Elizabeth Regina Comini Frota, que participou da 1ª Conferência de Esclerose Múltipla do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento na semana passada, a doença não tem cura. O tratamento visa controlar inflamações do sistema nervoso, mas ainda não há medicamentos que consertem as lesões.

– Todos os medicamentos que usamos atuam de alguma forma no sistema imune, e é essencial que os neurologistas que trabalham com esclerose múltipla saibam com clareza o mecanismo de ação dos medicamentos – diz Elizabeth.

A neurologista destaca que uma das mais importantes descobertas relacionada à doença foi a identificação de uma mutação genética que parece estar diretamente associada à esclerose múltipla, em um gene chamado PLG, responsável por produzir proteínas ligadas à inflamação no sistema nervoso. Em pesquisa realizada pela Universidade British Columbia, no Canadá, o gene aparecia em cinco pessoas da mesma família que apresentavam a doença. Ao estender essa pesquisa para mais de 14 mil pacientes, encontrou-se a mutação desse gene em uma grande porcentagem de pessoas.

– Não se pode falar que essa modificação seja a causa da doença, mas é uma associação e pode ser uma das causas. Vai resultar em novos estudos, novas perspectivas, e pode ser que mude o tratamento da doença daqui a alguns anos – avalia Elizabeth.

A doença surge em pessoas que têm genética com determinadas dificuldades em relação ao sistema imunológico, e em um momento da vida pode haver fator externo que desencadeie o processo – várias hipóteses de gatilho vêm sendo estudadas. O professor de neurologia da UFCSPA Sérgio Haussen, chefe do serviço de neurologia da Santa Casa de Porto Alegre, lembra que é comum pessoas conviverem a vida inteira com a doença sem ter um diagnóstico. Mas identifica bons avanços nesse sentido:

– Há mais divulgação por parte da medicina e métodos de diagnóstico como a ressonância magnética: quadros leves que antes ficavam sem diagnóstico, hoje são diagnosticados.

Maria Cecília destaca ainda a importância de manter a qualidade de vida, mesmo com o diagnóstico da doença, focando no bem-estar físico – fisioterapia e exercícios físicos são indicados –, e também mental, espiritual e social.

Cadeirante se torna mãe através da fertilização

05:58:00

Tabu para umas, sonho impossível para outras, o desejo de uma cadeirante em se tornar mãe só esbarra num único problema: desconhecimento. A gravidez é possível, assim como em qualquer mulher. A deficiência não é motivo para infertilidade, explicou o especialista em reprodução humana, Anatole Borges.
Carla Cléia, se tornou cadeirante ao 1 anos e 9 meses por seqüelas da poliomielite, casada há 15 anos com o também cadeirante Robertlito Moraes passou 15 anos tentando engravidar. Através da técnica de fertilização in vitro ela realizou o sonho da maternidade e hoje é mãe do pequeno Miguel, de 6 meses.

Ela conta que para conseguir engravidar passou por vários profissionais e sempre sentiu um preconceito velado, por conta da sua condição física. “Todos eles não me apoiavam, pelo fato de eu ser cadeirante, até que eu conheci o médico que fez meu procedimento de fertilização, e em meu primeiro contato com ele já me tratou como mãe, em nenhum momento colocou barreiras para realizar meu sonho. Imediatamente comecei a fazer todos os exames e hoje eu tenho o meu Miguel”.

Durante a gravidez, Carla teve que tomar apenas alguns cuidados por conta da circulação, já que ela fica a maior parte do tempo sentada. “A gente teve uma preocupação maior por causa de uma possível trombose, mas com a medicação correta e todos os cuidados não tive nenhum problema em relação a isso. Meu filho nasceu de 31 semanas, porque tive pressão alta, mas minha gravidez não foi diferente de nenhuma outra mulher”.


O especialista em reprodução humana, Anatole Borges, diz que o aparelho reprodutor da mulher continua funcionando da mesma forma após o acidente ou trauma que causou a lesão. Amputadas e mulheres com casos de grave escoliose também entram na lista das possíveis futuras mamães. "Tudo depende de uma avaliação do médico caso a caso. Mas as chances de uma resposta negativa são as mesmas de uma mulher sem lesão nenhuma", diz o médico.

A gravidez da cadeirante exige apenas um pouco mais de cuidado do casal. Visitas mensais ao ginecologista, desde o início da gestação, são uma das medidas essenciais ao bom andamento da gravidez. "A chance de ocorrer um aborto natural nos primeiros meses de gravidez é a mesma em qualquer mulher", avalia Anatole Borges.

O tratamento de fertilização na paciente cadeirante não muda em nada de uma mulher comum, apenas quando o companheiro apresenta lesões neurológicas que impedem a coleta de semen pode ser necessário a punção testicular, mas muitos cadeirantes nem disso precisam pois tem a função erétil preservada. Não existe uma diferença no tratamento para mulheres com paralisias antigas ou paralisias recentes de um modo geral a função reprodutiva não é alterada.

No que diz respeito ao parto algumas dificuldades como a falta de sensibilidade adequada, a falta da ação da musculatura abdominal em especial na hora do trabalho de parto, quando associado a outros fatores como fetos grandes, podem dificultar ou até mesmo impedir um parto normal. Nem sempre o parto é prematuro, sendo que a grande maioria consegue chegar ao final da gestação, e assim sendo mãe de crianças fortes e saudáveis.


Via:Capital Teresina

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