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DESABAFO - Não pude participar por ser cadeirante!

05:41:00

Eu estava passando por uma fase bem diferente de todas que já havia passado, me sentia rejeitada por todos, mas não entendia o motivo desse sentimento.

Depois de algum tempo eu comecei a refletir e perceber que essa minha tristeza começou a surgir desde o momento que eu me preocupava em ligar para os lugares (restaurantes, bares,...) para ver se tinha acesso pra mim, e na maioria das vezes não tinha. Quando eu não ligava, chegava no local e acabava tendo de ser carregada degraus a cima, ou ter que passar pela cozinha, e até mesmo ficar trancada na porta. Eu fingia que não, mas isso me deprimida muito...

Em certos momentos cheguei a tentar me convencer de que o melhor pra mim seria me isolar, "dar um tempo pra cabeça", pois deveria ser uma fase ruim e que logo as coisas iriam melhorar.

Mas os dias passaram e esse sentimento de rejeição não sumia, e para "ajudar", em menos de dois meses fui convidada para participar de dois eventos e um aniversário, mas os três foram realizados no segundo andar é não tinha acesso pra mim. Ouvir a frase "Todos estão convidados...Mas, desculpa Carol, não tem como você ir", me doía muito!

Nestas três vezes que eu não pude participar, em cada uma delas eu fui pro quarto praguejar a sociedade por ela não notar as minhas necessidades e nem fazer questão da minha presença... Mas do que isso iria adiantar?

Foi aí que decidi sair do quarto e fazer a sociedade me enxergar de verdade, e fazer a inclusão acontecer em todos os lugares!

Muita gente acredita que para a inclusão se tornar realidade, basta remover todas as barreiras arquitetônicas que está tudo resolvido... É claro que isso ajuda muito, mas antes de tudo, é essencial remover as barreiras ATITUDINAIS!

Na minha opinião, esse tipo de barreira é a pior de todas.

Barreiras atitudinais se refere a todo tipo de atitude que prejudica alguém. Como por exemplo, construir uma escada na entrada de algum local, sabendo que existem muitas pessoas que não conseguem subir nela. Essa falta de bom senso e de respeito é uma barreira atitudinal, pois devido a atitude de construir uma escada, acaba impedindo a entrada de pessoas com deficiência, idosos e outros.

Eu já fui em alguns pubs e sugeri algumas adaptações, mas não foram realizadas até hoje.

Essa falta de atitude em melhorar o ambiente pra gente, também é uma enorme barreiro que dificulta muito a inclusão das pessoas com deficiência.

Porém, quero acreditar que nem tudo está perdido e quero continuar sugerindo e provocando mudanças, pois sinto na pele como é ser excluída.

Chega de pensar que a culpa de eu estar passando por tudo isso, é da minha deficiência, a culpa é da sociedade que não quer me enxergar!

Vou fazer desse sentimento de rejeição, o meu combustível para brigar por mais lugares acessíveis, e também gritar "nós existimos"!

Não sei se vou melhorar, mas me isolar dentro do quarto por causa dos outros... não dá!
Mas lutar sozinha é muito difícil... Posso contar com sua ajuda também? 



9 motivos para sentir orgulho de ser cadeirante!

02:54:00


Ao longo dos séculos, nós pessoas com deficiência fomos sempre condicionados a ficar numa posição de coitadinhos.

Isso baixa a autoestima de todo e qualquer ser humano. Estar numa posição pela qual ninguém sente admiração, ao contrário, sente piedade é de morrer.
Eu sempre me recusei a isso. Nunca aceitei ser coitado. Nunca aceitei este estigma.

E tudo está mudando. O advento da internet ajudou demais. Pelo mundo afora começaram a pipocar os mais diversos tipos de cadeirantes e de pessoas com deficiência mostrando suas habilidades, mostrando suas conquistas, mostrando suas competências e, sim, mostrando sua alegria de viver e de causar felicidade a outras pessoas, inclusive com lindas e maravilhosas histórias de amor.

Quando eu digo que tenho 9 motivos para sentir orgulho de ser cadeirante, muitos torcem o nariz. Imagine… alguém ter orgulho de uma deficiência física?!


Vamos então aos 9 motivos para ter orgulho de ser cadeirante:

01)Não, eu não escolhi ser deficiente físico. Mas eu escolhi o que fazer com essa deficiência.

02)Minha escolha foi positiva. Este já é um grande motivo de orgulho, pois me recusei a jogar a toalha, a entregar os pontos.

03)Muitos receberam da vida um corpo mais do que perfeito, entretanto escolheram usá-lo ou para o mal ou para nada produzir neste mundo. Em relação a esses, eu tenho, sim, motivo de orgulho de ser cadeirante.

04)A cadeira de rodas me deu riquezas que pouquíssimas pessoas têm a chance de conhecer na vida. Ela me permitiu conhecer o melhor e o pior do ser humano. E eu tenho, sim, orgulho desse conhecimento de vida.
05)A cadeira de rodas me permitiu ver que o verdadeiro amor existe, pois mesmo deficiente físico e sem nenhuma riqueza material que pudesse me causar qualquer desconfiança, eu consegui conquistar alguns corações ao longo da vida. E hoje vivo feliz, em paz e sereno, casado com meu grande amor, minha amada, sem precisar levantar e andar para ter essa história em minha vida.

06)Mesmo sendo cadeirante, consegui me sobressair nos estudos, consegui alcançar, dentro de todas as dificuldades de uma época em que sequer se falava a palavra acessibilidade, o sonho de me formar em Direito.

07)Sendo cadeirante, consegui me sobressair no mercado de trabalho, vencendo todos os meus concorrentes andantes, em um tempo em que não se falava em cotas para pessoas com deficiência dentro das empresas. Sim, tenho muito orgulho disso.

08)Sendo cadeirante, não me tornei um estorvo para minha família como muitos lá atrás previam, a ponto de sentir piedade de meus pais. Não, hoje eu sustento meus pais, dou conforto a eles, como resultado de minha vitória na vida em cima, sim, de uma cadeira de rodas. Como não ter orgulho de ser cadeirante?

09)Ao longo de toda minha vida pude, através de minha experiência, ajudar muitas pessoas com e sem deficiência, no sentido de mostrar a elas, através de minha própria história, que quando se tem sonho, foco, força de vontade e fé, tudo é possível, inclusive ter orgulho de ser cadeirante.

Pense, reflita. Você também não tem orgulho de ser cadeirante?

Via: http://vaicadeirante.com/9-motivos-para-ter-orgulho-de-ser-cadeirante/

Uma carta para a Mielomeningocele...

06:04:00

Querida mielomeningocele, ou mielo para os íntimos posso te chamar assim já que namoro um homem ha um ano e meio que te carrega desde criança então temos intimidade o suficiente e sei tudo sobre você. 
Você foi um pouco intrometida sim trouxe problemas e preocupações, idas frequentes a todo tipo de médicos e treze cirurgias. Sua presença não me assombra, não vou ser hipócrita e dizer que te amo. Mais te aceito assim como todos os problemas que você trouxe, mais você nunca foi e nem vai ser um monstro, muito pelo contrário graças a você construímos uma linda história tanto de vida para o Daniel quanto de amor para nós dois. 

Sou grata também pelos seus ensinamentos nunca pensei que seria tão forte e corajosa, sou grata por tudo que ensinou a minha família sobre limitação e convivência com uma pessoa com deficiência. Você foi capaz de mostrar valores morais que jamais 'alguém' pôde e foi amorosa em me ensinar a da valor a pequenas coisas.

 Eu vejo a tua cicatriz sempre e acho linda! Ela carrega tantas dores, histórias e grandes vitórias incomparáveis, posso não te amar mas te trato com carinho ate por que vamos ter uma vida juntas!

Texto: Sibely Muniz

Quando o amor sempre esteve ao seu lado

06:27:00

Na escola eu me dava bem com todos os colegas, mas depois que terminei os estudos, cada um foi para um lado e acabei mantendo contato com poucos.

Às vezes a Jéssica, que mora ao lado de minha casa, me convidava pra ir na casa dela comer brigadeiro; outras vezes ela dizia para sua mãe que ia dormir na minha casa e no meio da noite ela fugia para balada com uma turma de garotas. Eu sempre fiquei em casa, até porque, nunca fui convidada para ir junto, mas isso não vem ao caso...

A Fabi não conta muito já que é minha prima, da mesma forma, eu e ela sempre íamos ao shopping e ela me contava tudo sobre seus namorinhos, sempre gostei de ouvir e torcer por ela. Foi com ela que assisti meu primeiro filme de terror e foi comigo que ela chorou quando perdeu seu cachorrinho.

Já o Fábio, que estudou comigo na sexta série, desde pequeno nunca deixou de ir na minha casa. Passava os dias brincando, conversando, rindo, cantando, as horas sempre voaram quando estava com ele. Toda vez que íamos passear na rua ele perguntava "com emoção ou sem emoção?", antes mesmo de eu responder ele já sai correndo... Mas, por incrível que pareça, eu nunca senti medo de cair com ele.

Todo mundo costumava dizer coisas do tipo: "seu amigo não tem namorada?" ou "seu amigo precisava sair com gente normal". Até que um dia uma tia falou "bem que seu amigo poderia namorar com sua prima, ele parece um bom rapaz"...Uma raiva surgiu dentro de mim, não soube o que responder e fui me empurrando, na minha cadeira de rodas, para longe dalí. 

Dentro do meu quarto eu chorei muito, perguntava para mim mesma por que ninguém me via como namorada dele? Por que ninguém dizia que eu e ele formávamos um belo casal?. Passei dias com isso na cabeça, e todos notavam que eu estava de mal humor. Minha mãe sugeriu que Fabi -a minha prima com qual queriam que o Fábio namorasse- me convidasse para irmos no shopping, quando ela entrou dentro do meu quarto eu senti uma raiva tremenda, passei a vê-la como minha rival, mas isso durou alguns segundos até que recuperei minha sanidade e vi que ela não tinha culpa nenhuma.

Depois algum tempo, pensando ainda no Fábio, comecei a conseguir admitir para mim mesma que aquela raiva que eu sentia era ciúme. Eu simplesmente o amava, eu simplesmente sempre o amei!
  
Sem falar nada para ninguém, ainda marcamos vários almoços e piqueniques com ele e nossos amigos. Quando estávamos juntos, comecei a prestar atenção de como ele me olhava e quanto carinho me dedicava. Chegou um momento em que eu não conseguia mais disfarçar, ele notou que algo estava acontecendo e mesmo sem ele falar, notei em seu olhar que, o que eu sentia, era reciproco.

Um, dois, três anos se passaram e nossa "amizade" ainda era a mesma. Sempre um ao lado do outro, sempre ele me aquecendo do frio, sempre ele passando os domingos comigo, sempre ele me abraçando, sempre ele... sempre ele! 

No fundo eu queria contar para ele, mas ao mesmo tempo tinha medo de afastá-lo e acabar ficando sem sua companhia. Mesmo treinando na frente do espelho, escrevendo textos quilométricos, nunca consegui me declarar, o medo sempre falava mais alto do que o amor.

O Fábio já fazia parte da família, todos o conheciam e adoravam-o. Tanto que, para o casamento da minha irmã, ela o convidou para ser padrinho junto com... minha prima Fabi.

Ele me olhou surpreso ao receber o convite e pensou por um momento que eu seria o par dele, mas logo minha irmã esclareceu que eu seria a dama de honra e que seu par seria a Fabi.

É claro que isso me aborreceu, mesmo que gostasse muito da minha prima, era eu que deveria estar no lugar dela. Mas eu não podia estragar tudo, sorri e demonstrei que havia ficado feliz com a notícia, e acabou tudo bem.

No dia do casamento todas as mulheres foram se arrumaram no mesmo salão, eu e a Fabi aproveitamos que estávamos lindas e tiramos várias fotos juntas na frente dos espelhos, o vestido vermelho ficou lindo na gente e a maquiagem fez no sentir como modelos de revista. Faltando poucas horas para o casamento, e minha tia falou:
-Acabei de ver o Fábio todo arrumado, com certeza o nosso plano de juntar a Fabi e ele, vai dar certo!

Todas que estavam alí concordaram e disseram que iriam torcer pelo casal, até a Fabi sorriu de forma envergonhada dando a entender que ela também queria. Respirei fundo e assim que consegui, inventei que precisa ir pois queria chegar com calma no campo, onde seria a cerimônia.

Chegando no local, fui empurrando minha cadeira com um pouco de dificuldade sobre a grama. Do nada a cadeira ficou mais leva e percebi que era o Fábio que estava me empurrando.

-Uma moça tão fina não pode ficar se empurrando na grama, correndo o risco de se sujar!... Pra onde vamos?
-Vamos até o lago, eu preciso respirar!

Estacionou minha cadeira ao lado de um banco de frente pro lado. Sentado ao meu lado, ele pegou na minha mão como sempre fazia. Tudo que eu pensava naquele momento era que logo ele seria da Fabi e eu seria apenas a amiga do casal. Eu estava com nó na garganta de tanta vontade de chorar, mas eu não podia, o que eu diria para o Fábio?! 

Interrompendo meus pensamentos, ele começou a falar:
-Sabe, eu não sei se você notou, mas eu estou diferente nesses dias...

Assustada por não ter notado nada, olhei pra ele querendo descobrir o que ele estava querendo dizer. Será que ele também já estava interessado pela Fabi?!

- Eu tinha decidido em falar com você só depois da cerimônia, mas eu não vou conseguir entrar naquela igreja com a Fabi, e eu sei que você também não quer que eu faça isso!
-Como assim?
- Era com você que eu queria entrar naquela igreja, sempre quis... Porque eu e você que formamos um casal, não é?
-Eu acho que sim...
-Eu gosto de você, Evelize, sempre gostei. Você sabe disso!

As palavras não saíram de minha boca, a única ideia que tive foi de beija-lo.
Foi o beijo mais lindo de minha vida, não foi apenas nossos lábios que se tocaram, mas nossos corações se juntaram.

Ainda com seus braços em minha volta e com o rosto colado ao meu, ele disse:
-Vamos fugir daqui?!
-Vamos!
-Com emoção ou sem emoção?
-Com muita emoção! 

Não se vitimize...

06:15:00

Ter deficiência não é fácil, não é bom, mas pode ser tornar pior ainda se você se vitimizar. 
Muitas pessoas com deficiência passam por situações difíceis e desistem de continuar tentando. Se isso não bastasse, começam a falar pra todo mundo que sua vida é difícil, quantas cirurgias já fez, quantas desgraças já sofreu, tudo pra convencer os outros de que é um(a) coitadinha(a). 

Gente, fazendo isso as pessoas só vão sentir pena de vocês e nem amigos vão querer ser, porque ninguém quer uma pessoa triste perto dela. 

"Ah, Carol! É fácil falar, mas você não sabe como minha vida é difícil!" Eu sei que não é, mas a vida de ninguém é fácil, nem a minha. Até as pessoas sem deficiência também têm vidas "duras", cheias de problemas. 

Ser cadeirante não é desculpa, você não é o único(a) que tem essa deficiência. Tem gente sempre em situação pior do que você, que não fica se lamentando e consegue levar uma vida muito boa, da maneira que pode. 

Já ouviram falar que a palavra (e pensamento) tem poder? Pois é, isso é muito verdade, eu aprendi isso com o tempo. Pra provar que isso faz sentido, vou contar a história da minha amiga de longa data. 

Minha amiga, cadeirante, já tinha passado dos 25 anos e ainda não tinha terminado o ensino médio, vivia falando que tava com tédio e eu acabava ficando mal por ela. Quando eu perguntava qual o motivo dela ter parado de estudar, ela sempre dizia "eu não tenho como ir, eu não gosto de estudar, já sofri preconceito demais na escola e sei que ninguém vai querer ser meu amigo...". Ela se fazia de vítima, inventava mil desculpas e ela mesmo acreditava nelas, mas eu não. Enchi tanto o saco, que ela voltou a estudar. 

Resumindo: Hoje ela estuda, se tornou a líder da turma, está cheia de amigos, já está quase terminando os estudos e tá escolhendo a faculdade que fará! Ou seja, ela se vitimizou tanto que ela não tinha forças pra aproveitar a vida e viver. Tinha desistido de tentar e até gostava quando os outros diziam "coitadinha, não pode mesmo estudar", porque era a forma que ela recebia a atenção das pessoas e se contentava com o dó dos outros. Mas, só agora ela percebe o mal que estava fazendo pra si mesma e quanto tempo desperdiçou se vitimizando trancada em casa. 

Agora, paree analise a sua vida. Você também está com tédio? Você não tem nenhuma meta que quer alcançar? Perdeu a vontade de fazer as coisas diferentes e ainda adora falar para os outros como sua vida é difícil? Eu tenho um segredo pra contar... a única pessoa que pode mudar isso é você mesmo!

 Sei que é difícil mudar esse pensamento de uma hora pra outra, mas se você ter vontade, já é um grande começo. Chega de usar a sua deficiência como desculpa de seus problemas, chegou a hora de mudar!
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