Botox ajuda pacientes a recuperar movimentos

A toxina botulínica tipo A, mais conhecida como Botox, é famosa entre as pessoas quando o assunto é beleza, ou melhor, correção de rugas de expressão. Poucas pessoas sabem, no entanto, que essa substância é usada em pacientes com doenças neurológicas como paralisia cerebral, trauma medular, paraplegia, entre outros.
A substância é aplicada no músculo que está atrofiado em decorrência de alguma lesão do sistema nervoso central. Ela inibe a liberação da acetilcolina diminuindo o estímulo nervoso, relaxando a musculatura", explica Cristiane Isabela de Almeida, médica fisiatra do Centro de Reabilitação do Hospital Israelita Albert Einstein.
De acordo com a fisiatra, esse tratamento associado à fisioterapia melhora muito a capacidade de readaptação às atividades cotidianas dos pacientes com deficiências neurológicas.

Ao longo da história

Os efeitos da toxina botulínica tipo A vêm sendo estudados há muitos anos. Tudo começou com pesquisas sobre a doença botulismo, causada pela bactéria Clostridium botulinum, que atinge as pessoas por meio de uma intoxicação alimentar. A bactéria possui sete sorotipos de toxinas e quando atinge o sistema nervoso interfere na sinapse (comunicação) entre as células nervosas, debilitando funções do organismo e contraindo músculos.
"Os primeiros estudos, no final da década de 70, mostraram que a toxina tipo A tinha efeito positivo para tratamento de estrabismo e espasmos involuntários da musculatura das pálpebras", lembra dra. Cristiane. Com o passar dos anos, a medicina começou a utilizar a toxina para tratar outras doenças provenientes de lesões do sistema nervoso central.

Aplicação indolor

A toxina é aplicada no músculo através de uma injeção. Na hora de analisar a quantidade de doses que deve ser receitada ao paciente, o médico leva em consideração diversos fatores: peso, massa muscular, número de músculos atingidos simultaneamente, entre outros.
Segundo dra. Cristiane, a aplicação pode ser feita nos consultórios e só são realizadas em centros cirúrgicos quando o paciente é agitado ou em caso de crianças que apresentam medo das injeções. "Aplicamos anestesia e, por isso, é preciso que o paciente esteja em jejum", afirma. No entanto, na maioria dos casos o procedimento acontece no consultório médico sem necessidade de sedação. A dor provocada pela injeção e pela toxina é totalmente suportável.

Efeitos positivos

O paciente começa a perceber os efeitos da toxina entre 24 e 72h após sua aplicação. "Mas o pico de melhoria mesmo é sentido em 15 dias", afirma Cristiane. Os efeitos clínicos duram cerca de 4 meses. Entre eles estão: melhoria da postura, do equilíbrio, do desempenho sexual, da qualidade do sono. Também facilita atividades do cotidiano como se alimentar e se vestir, além de diminuir muito a dor. A toxina pode ser aplicada novamente em um intervalo mínimo de 90 dias.
http://www.einstein.br/

Tecnologia do Blogger.