Neide e Elton


Sou Givaneide Chagas (Neide), 30 anos e nascida na Bahia. Tenho uma deficiência motora (sou cadeirante), resultado de um tumor na coluna. Sou casada há 10 meses com Elton Araujo, 29 anos e nascido em São Paulo. É acometido por uma doença genética, um tipo de distrofia muscular progressiva. Atualmente moramos em Amparo-SP.

Recordo-me perfeitamente quando nos conhecemos em um grupo de cadeirantes nas redes sociais. Já se passaram três anos depois daquele dia. Elton sempre foi muito atencioso e educado, conquistou minha amizade facilmente e assim começamos a nos comunicar todos os dias. As conversas tornaram-se cada vez mais alegres, nascendo um sentimento que guardaríamos até o fim de nossas vidas, pois logo seria difícil separar o que Deus uniria. Começamos a namorar pela internet.
Eu e minha mãe Maria Pureza dos Santos recebemos um convite especial, ir a São Paulo conhecer sua família. Não pensei duas vezes, aceitei! A expectativa e ansiedade eram enormes, finalmente eu iria conhecê-lo.
Acreditem, após passar alguns dias em sua casa fui pedida em noivado. As coisas foram acontecendo tão intensamente e tudo tão perfeito que já fazíamos planos de vida juntos e imaginávamos como seria bom unir nossas vidas em um só propósito: Viver esse amor como se não houvesse o amanhã.
Aqueles dias que passamos juntos foram tão especiais que foi difícil voltar para minha cidade, Adustina na Bahia. Mas continuamos a nos falar pela internet e telefone. Este período de distancia não prevaleceria por muito tempo, precisávamos acertar os detalhes do casamento e em 2013 eu e minha mãe fomos novamente para São Paulo, e desta vez era para ficar.
Em nossas vidas passamos por momentos que nos marcam eternamente, e para nós o dia 28 de Dezembro de 2013 foi mais que especial. Que dia alegre! Às dez horas da manhã entregamos nossas vidas em casamento. Aproveitamos e agradecemos aos nossos padrinhos, amigos e familiares que nos ajudaram na realização deste sonho. Nosso casamento foi lindo com a ajuda deles.

A distância em alguns momentos foi nossa maior dificuldade. Hoje não saímos mais de perto um do outro, não existe mais Elton sem Neide, nem Neide sem Elton. Somos um só!

As adversidades insistem em aparecer algumas vezes, não podemos dizer que um casamento entre dois cadeirantes seja fácil, mas Deus nos fortalece a cada dia. Aliás, nada é fácil nessa vida, o que importa é nunca desistir. O amor vence qualquer obstáculo e somos a prova disso.

A nossa deficiência estimula a curiosidade de muita gente, e a sexualidade ainda é um tabu a ser vencido. Há muito questionamento de como conseguimos namorar ou como faremos para ter filhos. Contudo, este assunto deve ser encarado com muita naturalidade, pois sexo é parte da vida conjugal, independente se somos cadeirantes ou não. Creio que aos poucos as pessoas vão se acostumando com nosso jeito de amar e entendendo do assunto à medida que deixamos esclarecidos que somos um casal como outro qualquer. E isso inclui relações íntimas.
Falando nisso, filhos estão nos nossos planos. Procuraremos no momento certo o apoio dos médicos e se for da vontade de Deus acontecerá. Queremos muito desfrutar dessa benção de sermos pais. 

Em nossa vida contamos com a ajuda de minha mãe que deixou sua terra para me permitir ser tão feliz, temos o apoio da minha sogra Solange Araújo que sempre dedicou sua vida ao Elton e estamos rodeados de pessoas que nos incentivam e nos ajuda a seguir.

As nossas famílias estão unidas, nós estamos cheios de amor e muito felizes. Deus esta à frente dos nossos sonhos, o que mais poderemos querer? Nosso único anseio é que independente do que aconteça daqui para frente, nós estejamos sempre juntos e sem abandonar a fé.
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