Fatine e Alan...


Fatine...
Sempre ouvi as pessoas dizendo: quando menos esperar vai encontrar seu amor. Não gostava dessa necessidade de aguardar para ter algo tão ansiado por mim, mas depois de algum tempo e histórias mal sucedidas percebi a importância desse intervalo.

Depois que terminei um longo relacionamento resolvi que não correria pra engatar em outra paixão. Queria, primeiro, cuidar das feridas que fiz e elaborar alguns dilemas complicados na minha cabeça. Por isso, lancei-me na pista e fiquei aberta a negócios, rs.

Conheci muitos caras, fiquei com alguns, mas sempre evitei o então temido namoro. Peguei trauma dessa palavra e arrepiava ao ouví-la. Quando percebia que alguém ia me propor isso, saltava fora e seguia minha vida. Tinha medo do que podia me acontecer, imaginava que sofreria novamente tudo o que vinha doendo em mim e aquilo me apavorava.

Não sou do tipo que sabe seduzir, costumo dizer que tenho o sex-appeal de uma salamandra. Sou séria, tímida demais (em um primeiro momento) e super lerda pra perceber quando recebo uma cantada. Contudo, na internet costumo ser muito mais desinibida e surpreendo, desencantando uma mulher super resolvida e atraente. Além disso, existe aquele dilema chamado PRECONCEITO, que toda mulher cadeirante sabe e já passou por ele. Por isso, meus encontros são frutos de longas conversas virtuais. Não me envergonho disso mais, afinal conheci pessoas super bacanas em salas de bate papo o qual fazem parte da minha vida hoje.

Tenho perfis em várias redes sociais: facebook, twitter, instagram e por aí vai. Cheguei assinar aquele Par Perfeito, porém me rendeu uma excelente amizade. Vendo a minha falta de sucesso nesses sites, resolvi testar o Badoo. Como não queria nada sério mesmo, pensei: porquê não tentar? E passei a conversar por lá, mal sabendo que lá me encontraria em outro alguém. 
Foi Alan quem tomou a “iniciativa” ao ver meu perfil. Mandou mensagem pra mim e logo fomos conversando. Tantas semelhanças nos conduziu ao facebook e nele tudo desembolou. Trocamos mensagens, número de telefone, nos falamos pelo vídeo e a vontade de se conhecer aconteceu. Me sentia feliz ao falar com ele e sempre que me lembrava de nossas conversas, sorria. Contudo, tinha medo de tudo dar errado. E, NÃO QUERIA RELACIONAMENTO!

Ficamos a primeira vez e foi muito bom, tudo se encaixava. Beijos, conversas, cheiro estavam se entrosando e tornando-nos um só. E agora? Eu pensava. Será que é ele? Os dias seguiam e a ansiedade aumentava. Mas não quero namorar, eu dizia aos meus amigos. Eles rindo respondiam: mas você vai.

Uma noite fomos pra um restaurante e sob um lindo luar ele me pediu em namoro. A resposta escapou de mim e um falei um SIM entre sorrisos e um rosto super vermelho de vergonha. Ele, emocionado, sorria. Foi nesse dia que pensei: é ele.

Tive mais certeza ainda de que Alan era especial quando passamos o primeiro final de semana juntos. Pela primeira vez, estive ao lado de alguém sem medo de me mostrar, pois sabia que pra ele não importava o meu corpo, mas o que guardava meu coração. Depois disso, tenho tranquilidade de ir com ele pra qualquer lugar, do jeito que for.

Considero o Alan uma pessoa especial, não só por ser meu namorado, porém pela pessoa que é. Amigo, companheiro, educado e com um senso de responsabilidade humana formidável. Cuida de mim quando saímos juntos, sem medo de ser julgado por isso. Nunca me tratou como coitada, ao contrário, fala de mim para os outros sempre com orgulho de minhas ações.

Estamos juntos há praticamente oito meses, tivemos pequenos contratempos, momentos onde pensamos em não prosseguir, entretanto algo nos une. Existe uma história pra ser contada, uma missão a ser cumprida em nossas vidas. Carrego em mim essa certeza todas as vezes em que olho o seu sorriso ou quando após um beijo ele me diz “te amo”. Nessas horas, não somos dois. Somos a mesma pessoa, pois hoje em mim há mais dele do que já houve antes.

Hoje não me preocupo mais com o tempo ou o que virá a ser, pois sou grata por viver uma história como essa.

Alan...
“Tu é artista?” Acredito que a Fatine nunca se esquecerá desta frase. Praticamente foi a primeira mensagem que enviei após elogiar seu perfil. Esse quebra-gelo foi suficiente para desenvolver uma abertura interessante. Tudo isso aconteceu na plataforma do Badoo, um site de relacionamentos.

Eu não sabia que a Fatine tinha os problemas em seu corpo. O que mais prendeu a minha atenção é uma foto bonita, charmosa com um belo sorriso e as informações do perfil. Estas informações transmitiram segurança. Não eram argumentos rasos que continham palavras-chave: “relacionamento sério”, “personalidade forte”. Ali eu vi e senti transparência. 



Só notei que a Fatine era cadeirante após muito tempo. Na verdade próximo do nosso primeiro encontro. E para dizer a verdade eu nem me importo com isso. Até porque o que mais adorava era conversar com ela por longas e longas horas na internet e no celular. Só queria ter uma parceira segura de suas palavras e bem confiante. E a Fatine conseguiu atender muito bem as minhas expectativas.

E que mulher, ela tem um incrível feitiço de ser linda todos os dias. Eu sempre a enxergo assim. Criei um vício de elogiá-la. O que me deixou mais vivo e tranquilo. É uma ação recíproca. Mas queria ressaltar algo tão relevante e que ela nem mesmo sabe disso. Ela me tornou uma pessoa sensível. É a primeira e única mulher que proporcionará tudo que sinto atualmente.
Eu adoro carregá-la. Posso sentir o seu coração pulsando forte. Mas a vontade mesmo é de beija-la intensamente. Eu adoro calçar o seu tênis, é como se fosse parte de mim. Eu encaixo o tênis o mais delicado possível. Eu amo vesti-la. E nem tenho vergonha de dizer isso, é a primeira e única mulher da qual fiz e continuarei fazendo. Adoro ajeitar o seu cabelo, massageio sem parar. Ela me recompensa com seus olhos fechados e um sorriso. Estou realizado.

Eu não enxergo que a Fatine tem um problema, mas sim uma solução. Tornei mais humano. Mais reflexivo e abri os olhos para o que realmente importa. Que é a vida. Escutei algumas das várias experiências que ela sofreu quando era criança e adolescente. Não senti pena. Eu fiquei admirado. Por que são poucos que conseguem encarar uma carga bruta de adjetivos negativos, deboches e outros percalços.

Ela é tão forte quanto eu. Eu preciso mais dela, do que ela de mim.

Tudo isso só aconteceu porque eu vejo apenas o lado positivo da vida. A Fatine percebeu isso de mim e somos um casal bem feliz. Sou feliz por ter ela como namorada. Eu desejo que nesse dia dos namorados os nossos laços se fortaleçam criando uma corrente positiva de amor. Gostaria de agradecer a Carol pelo espaço no blog.


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